Aterro
Mantovani, um dos maiores de áreas industriais contaminadas, interditado pela
CETESB (SP),
recebe visita de representante do Ministério da Saúde
São Paulo, 03 de
outubro de 2.005 - O objetivo da visita é encontrar soluções efetivas para os
problemas gerados pela contaminação ambiental, sem solução há décadas,
considerado um dos piores descasos ambientais na área do lixo industrial.
O
Instituto Jequitibá e o Comitê de Solidariedade às Vítimas de Áreas Contaminadas
informam que virá a Campinas nesta segunda-feira, dia 03 de outubro a
representante da Coordenadoria de Vigilância Ambiental do Ministério da Saúde,
Daniela Buosi, com a missão de conhecer o aterro Mantovani e as condições em que
se encontram os moradores do entorno.
Até o momento as negociações entre o Ministério Público Federal, a CETESB, a CSD
Geoklokc (empresa contratada para monitorar a contaminação e levantar laudos
técnicos do local) e o comitê jurídico que representa as empresas poluidoras
discutiram temas como: apurar responsáveis pela contaminação, titularidade da
área, retirada total, porém, tratamento de saúde especializado nunca fez parte
de fato dessas discussões.
A visita da representante do Ministério da Saúde é vista por entidades de defesa
ambiental e de vítimas de áreas contaminadas como o primeiro passo efetivo para
garantia do acompanhamento específico para a saúde desses moradores na situação
em que se encontram.
Localizado no quilômetro 147 da rodovia SP 340 (Campinas-Mogi Mirim), o Aterro
Mantovani, se localiza no município de Santo Antonio de Posse (SP) e serviu de
depósito de resíduos químicos (metais pesados e organoclorados) de empresas
nacionais e trans-nacionais do estado de São Paulo e de outros, de 1974 a 1987,
quando foi interditado pela Companhia de Tecnologia em Saneamento Ambiental
(Cetesb).
Na época não se tomaram providências punitivas, tampouco os reparos necessários
para recuperação do local que passou a receber clandestinamente mais lixo tóxico
até 2000, totalizando cerca de 360.000 toneladas de resíduos contaminantes.
Segundo os relatórios da própria CETESB, a contaminação da água em um sítio
vizinho ao aterro só apareceu no início de 2000, porém os poços de água só foram
interditados e a população devidamente informada em 2001, ou seja, depois de
mais de um ano de consumo de água contaminada. Desde então os moradores, que
vivem do plantio não podem mais utilizar a água de seus poços.
O lixo das indústrias continua ali, distribuído em 14 valas, algumas aterradas
(de onde brotam uma espécie de pasta viscosa do chão) e outras a céu aberto.
Depois de trinta e um anos a penetração em níveis profundos é inevitável, dessa
forma a contaminação segue avançando, tendo atingido duas nascentes no local e o
Rio Pirapitingui colocando em risco agora a saúde de mais de 500.000 pessoas que
se abastecem dessas águas, direta ou indiretamente (cidade de Cosmópolis utiliza
100% para abastecimento humano), e por sua vez vão de encontro ao Jaguari e
Atibaia, águas federais. Até meados de 2004 a CETESB e o Ministério Público
Estadual estavam no comando das negociações. Em setembro de 2001 foi assinado um
Termo de Compromisso, aditado em 2003 determinando os planos de ações a serem
praticados no local.
Em 2004 o caso ganha repercussão internacional levando 48 das 65 empresas
envolvidas a manifestarem-se favoráveis às negociações, porém, sem resultados
práticos. Para os moradores do entorno a retirada do lixo deve ser total e
imediata, assim como o tratamento e o monitoramento de saúde dos mesmos.
O trajeto terá início às 9 horas na sede do Ministério Público Federal de onde a
representante do Ministério da Saúde seguirá para Santo Antonio de Posse,
município onde se localiza o aterro.
A visita in loco tem previsão para encerrar-se às 11 horas, quando os moradores
do entorno receberão a Sra. Daniela no Sítio Dois Irmãos.
Às 15 horas, acompanhada de representantes do Comitê de Solidariedade às Vítimas
de Áreas Contaminadas, a Sra. Daniela se reunirá com o atual responsável pelo
caso, o Procurador da República Dr. Gilberto Guimarães Júnior novamente na sede
do Ministério Público Federal.
Por volta das 16 horas, a representante do Ministério atenderá a imprensa para
falar dos próximos passos ainda no prédio do Ministério Público Federal.
Saiba quem são as empresas que jogaram seus resíduos na área do Aterro:
Acebras Acetatos do Brasil
Arzo Indústria e Com
Asfalto Vitória
Basf Brasileira (duas filiais levavam seus
resíduos)
Boehringer Ingelheim
Brazão Lub. Nacionais
Buchmann Laboratórios
Cia Agro I. de Goiás Cagigo
Carioquímica I. C. P. Quim.
Cargil Agrícola
Ciquini Plasbaté (duas filiais levavam seus
resíduos)
Citrospectina
C.B.T.I. Equip. Industriais
Du Pont do Brasil
Eaton
Embraer
Fairchild Semicondutores
Filtros Mann
Huzicromo Galvanoplastia
Hydrosol Prod. Químicos
Cia Brás. P. Petróleo Ibrasol
Ind. E C. de Sabão e Glicerina
Itelpa Screens
Itol I. Trat. De Óleos Isolantes
Yanmar do Brasil
Johnson e Johnson(três de suas filiais
levavam seus resíduos)
Lubrasil Lubrificantes
Lubrinasa LUB. Nacionais (duas de suas
filiais levavam seus resíduos)
Indústria elétrica Marangoli
Mercedes Bens do Brasil
Midlan Ross Elét. Nite Instru.
Monte D’Oeste Ind. E Com.
Montecril
Nobel Quím. Ind. Comércio (duas de suas
filiais levavam seus resíduos)
Pardal Produtos Químicos
Partington Chemicals
Petroil Lubrificantes “Igo”
Plestin Ind. Químicas
Petronasa Petróleo Nacional
Prosint Produtos sintéticos
Quimpil Quí. I. Piracicabana
Quimitex Ind. E Comércio
Rainha Calçados e Mat. Esp.
Recicla Ind. Química
Redestil
Ref. Petróleo de Manguinhos
Regenera Ind. E Com.
Rhodia
Roberto Bosch
Servind I. e C. Prod. Químico
Sinterbras Ind. E Com.
Supre Mais Química
Texas Inst. Elet. Do Brasil
Texaco do Brasil
Vasilhame São Matheus
Vasoil R. Óleos Lubrificantes
Vitória Química

Fonte:
Instituto
Jequitibá e o Comitê de Solidariedade às Vítimas de Áreas Contaminadas