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Vídeo
denuncia a farsa do mercado de carbono
São Paulo, março de 2.010 - As verdades já
inegáveis do aquecimento global trouxeram uma preocupação geral, porém com
reações peculiares. Já sabemos que há dióxido de carbono demais na atmosfera, o
que faz subir a temperatura do planeta, e os desequilíbrios climáticos
conseqüentes estão aos olhos de todos. É, portanto, forçoso admitir que o mundo
precisa emitir menos dióxido de carbono na atmosfera.
Duas comunidades foram registradas em vídeo, uma no município de São João do Buriti, no Espírito Santo, e outra na cidade de Grangemouth, na Escócia. O que elas têm em comum? O fato de que ambas estão vivendo gravíssimos problemas ambientais relacionados a empresas. E o pior e mais surpreendente: estas empresas usam uma a outra para limpar suas reputações, por meio do chamado “mecanismo de desenvolvimento limpo” que promove o mercado de carbono.
Aos fatos. Em São João do Buriti, a empresa Plantar é dona de mais da metade da área do município, que é rural. A Plantar usa o território para cultivar a monocultura do eucalipto, parte da qual vira carvão vegetal e o resto é vendido à fabricante de celulose Aracruz. No vídeo, a população local conta que seus córregos e riachos se foram, sugados pelas raízes de dezenas de milhares de eucaliptos (a árvore consome água subterrânea demais e é exótica nos biomas da América do Sul).
Enquanto isso, Grangemouth está completamente
contaminada por uma unidade de produção da British Petroleum (BP). Bem no meio
da cidade, a BP espalha muita fumaça, barulho, mau cheiro e uma monstruosa
paisagem. A vida em Grangemouth, como dizem os moradores, é muito ruim.
Esta é apenas uma das facetas reais do
mercado de carbono, cujo maior controlador e mediador de compras e vendas
atualmente é o Banco Mundial. Com os créditos de carbono obtidos com a Plantar,
a BP pode vendê-los a outras empresas poluidoras, ou usar sua autorização para
poluir mais em Grangemouth.
O vídeo feito pela organização européia
Transnational Institute em parceria com a Fase Espírito Santo foi feito como uma
troca de correspondências. Primeiro, os capixabas gravaram depoimentos sobre sua
situação, que foram exibidos aos escoceses de Grangemouth. O mesmo foi feito
pelos britânicos, e mostrado aos capixabas.
As cópias têm opção de legenda em português e podem ser solicitadas à Fase Espírito Santo, no seguinte endereço: http://www.fase.org.br
Fonte: FASE, por Fausto Oliveira
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