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Mercados norte-americanos de
energia renovável: empolgação à vista
EUA, ano de 2.003 - Estamos
passando por um período de lutas e enfrentando desafios, com perturbações de
suprimento de petróleo, produção declinante de gás natural e mudança climática
global. Para tal mundo, a energia renovável oferece uma esperança nova e uma
gama de benefícios – redução das emissões, estabilização dos custos de
energia e segurança energética. Nos últimos tempos, o mercado de energia
verde vem crescendo rapidamente. Entretanto, a energia renovável ainda enfrenta
muitos desafios e obstáculos no caminho para a efetivação de seu potencial
pleno.
Até
agora, o ano de 2003 tem sido um de sucessos e insucessos para a energia renovável
nos Estados Unidos. No orçamento de 2004, a verba para pesquisa de tecnologias
de hidrogênio deu um salto de 121%, para US$ 88 milhões. Conjuntamente com a
iniciativa FreedomCAR, a soma total destinada a iniciativas baseadas no hidrogênio
atinge US$ 272,4 milhões para os gastos energéticos no ano. O governo prometeu
também US$ 1,2 bilhões durante 10 anos, como ajuda para o desenvolvimento de
veículos movidos a hidrogênio e da infra-estrutura, inclusive postos de
abastecimento.
Entretanto,
muitos programas de pesquisa de energia renovável deverão ser cortados em
2004, embora as verbas para pesquisa devam aumentar US$ 1,3 milhões. Recursos
para pesquisa da energia eólica deverão cair 5,5%, enquanto a energia solar
deva receber meros 0,1%. Segundo o ponto de vista do governo, essas tecnologias
já atingiram um estágio avançado, estando o setor privado apto a adotá-las e
encaminhá-las para comercialização, sem maior ajuda federal. Os planos do
Presidente Bush para o Refúgio Nacional de Vida Silvestre do Ártico (ANWR)
incluíram a alocação de parte (US$ 1,2 bilhões) do bônus do arrendamento do
ANWR para o incremento do financiamento de renováveis e conservação.
Entretanto, estes recursos correm perigo após o Senado não ter aprovado o
plano no ano passado, e o Partido Democrata ter prometido utilizar táticas de
obstrução para bloquear a votação neste ano.
O
Departamento de Energia lançou recentemente Climate VISION (sigla em inglês
para Iniciativas Setoriais Inovadoras Voluntárias: Oportunidades Já), uma
parceria pública-privada, como parte da estratégia governamental para reduzir
a intensidade de gases de estufa – a relação entre emissões e produto econômico
– em 18% durante a próxima década. Embora a iniciativa seja motivada por
medidas de eficiência energética, não há um compromisso específico para
redução das emissões dos níveis atuais. Assim, mesmo que a intensidade energética
diminua, o crescimento da economia significará que as emissões continuarão a
aumentar. Um compromisso específico no sentido de ampliar a geração de
energia de fontes renováveis ajudaria a reduzir essas emissões.
Embora
o apoio à energia renovável por parte do Governo Federal tenha ficando muito
aquém do ideal, os estados e órgãos locais estão proporcionando liderança e
orientação através de uma variedade de iniciativas inovadoras e de alto
impacto, financiando pesquisas e centros de desenvolvimento, oferecendo
incentivos, rebates e programas que aumentam o uso de energia renovável. Por
exemplo, São Francisco lançou um programa ambicioso de instalação de
sistemas solares fotovoltáicos, e Michigan se comprometeu a aplicar US$ 50 milhões
na pesquisa e desenvolvimento de células de combustível.
Mais
de uma dezena de estados instituiu normas para energia renovável (Renewable
Portfolio Standards – RPS) que obrigam vendedores de energia no varejo a
fornecerem um certo percentual de eletricidade de fontes renováveis. No Texas,
por exemplo, uma RPS transformada em lei pelo então Governador Bush determinou
um objetivo de 2880 MW de nova capacidade renovável até 2009. Foi tão grande
o sucesso que 930 MW de energia eólica foram instalados no primeiro ano do
programa. Outros estados, como o Arizona, que adotaram RPS estão desenvolvendo
ativamente a energia solar ao invés da eólica, devido à sua abundância.
A
Califórnia continua dando apoio à energia limpa isentando os sistemas de
energia renovável da ‘taxa de saída’ – um taxa de 2 a 5 centavos de dólar
por kWh de toda a energia distribuída – que poderia causar um sério obstáculo
à indústria de energia renovável. Taxas de saída foram propostas como um
meio de reduzir a dívida estadual incorrida pelas compras de eletricidade
gerada de combustíveis fósseis e contratos de energia de longo prazo durante o
auge da crise energética.
As
concessionárias estão cada vez mais incorporando tecnologias renováveis ao
seu mix de geração e oferecendo mais programas de massa de energia verde.
Embora grande parte tenha sido iniciada como resultado de RPS introduzidas em vários
estados, a motivação hoje está sendo provocada por mudanças no mercado que
tornaram a energia renovável uma opção viável. À medida
que a conscientização e preocupação sobre mudança climática se
ampliam, os usuários se dispõem a pagar mais e abraçar a Energia Renovável.
O
crescimento no uso de certificados negociáveis de eletricidade renovável (TRC),
ou certificados verdes, está ampliando o alcance e disponibilidade da energia
verde para usuários. Quando uma instalação de energia renovável gera
eletricidade, é criado um TRC para representar os benefícios ambientais de uma
quantidade específica de geração renovável daquela instalação. Este
certificado pode ser negociado independentemente ou vendido juntamente com a
eletricidade convencional, superando assim o obstáculo de entrega dos benefícios
da energia renovável a usuários distantes das usinas geradoras.
A
energia renovável há muito tem sido uma alternativa viável para muitas situações
de geração distribuída, e os preços hoje estão caindo mais. Por exemplo, os
fabricantes estão vendendo módulos solares por menos de US$ 2,50 por watt de
pico, e os avanços previstos na tecnologia e fabricação provocarão quedas
maiores nos preços dos módulos. Além disso, com a elevação dos preços dos
combustíveis fósseis, a energia renovável está sendo considerada até mesmo
para geração e distribuição centralizadas. Por exemplo, algumas concessionárias
no Centro Oeste anunciaram planos para incorporar mais energia de fazendas eólicas
no seu mix de geração de energia, uma vez que o custo maior do gás natural
tornou a geração eólica mais econômica. O Departamento de Água e Energia de
Los Angeles (LADWP), a maior concessionária municipal do país, também está
instalando uma nova usina eólica de 120 megawatts no Deserto de Mojave.
Grandes
corporações estão hoje percebendo este crescimento dos mercados de energia
renovável e já começaram a realizar investimentos significativos neste setor.
BP Solar, o maior fabricante de módulos solares fotovoltáicos, introduziu
‘Home Solutions’ (Soluções Residenciais), um grande esforço para a criação
de mercados de massa para sistemas solares residenciais nos Estados Unidos e
Europa. GE adquiriu Enron Wind, criando GE Wind Energy, o segundo maior
fabricante mundial de turbinas eólicas. Shell continua sendo um grande
investidor em tecnologias solares, eólicas e de células de combustível. A energia eólica tem sofrido inúmeros problemas – tecnológicos, financeiros e normativos. Uma convergência de forças de mercado, avanços tecnológicos e compromisso renovado de legisladores está ajudando a resolver muitos dos grandes problemas. A energia renovável é hoje um dos setores de crescimento mais acelerado da economia dos Estados Unidos. Está pronta para deslanchar num crescimento sustentado e concretizar a tão prometida visão de um futuro melhor e mais limpo. (Frost & Sullivan).
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