Aprovação da MP dos transgênicos é “descaso com a população”, afirma Gabriela Vuolo, do Greenpeace

Brasília, dezembro de 2.007 - A ambientalista Gabriela Vuolo, da Organização Não-Governamental(ONG) Greenpeace, considerou lamentável a aprovação, na Câmara dos Deputados, da MP 327, que altera as regras para o plantio de transgênicos no entorno das unidades de conservação. Em entrevista à Agência Brasil, ela disse que a medida “comprova o descaso com as questões ambientais, com a população”.

Entre os principais pontos da MP, está também a liberação comercial de uma variedade de algodão transgênico, ainda não liberado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que já foi plantado e colhido. Na opinião de Gabriela Vuolo, está "acontecendo o mesmo que ocorreu com a soja, a política do fato consumado".

Outro ponto da MP 327 diz respeito à mudança no sistema de votação da CTNBio. Agora, para liberar comercialmente um produto transgênico, o quórum será de 14 votos, ou seja, maioria absoluta, e não mais de dois terços (18 votos) como foi todo o processo durante os 13 meses de funcionamento da comissão. No total, A CTNBio é formada por 27 membros.

Segundo a ambientalista, a entidade não vai desistir da luta: “vamos continuar lutando para que a biossegurança do Brasil seja respeitada. A segurança das pessoas, dos agricultores, deve ser garantida. Essa aprovação da Câmara mostra uma tendência muito séria de privilegiar uma minoria, como a bancada ruralista, os grandes agricultores, o lobby do agronegócio e da indústria de biotecnologia”.

A medida provisória permite o cultivo de transgênicos nas zonas de amortecimento (faixas de 500 metros entre as plantações e as áreas ambientalmente protegidas) de unidades de conservação, em áreas de proteção de mananciais de água utilizável para o abastecimento público e nas áreas declaradas como prioritárias para a conservação da biodiversidade.

A MP segue para apreciação no Senado Federal, e deve ser votada somente na próxima legislatura. "Vamos aguardar a votação no Senado. Se também for aprovada, vamos recorrer ao Executivo, ao próprio presidente, para que ele vete a MP", acrescentou Vuolo.

MP dos Transgênicos foi aprovada na sua pior versão

Além de semente de soja transgênica, o entorno das unidades de conservação terá que suportar também o algodão transgênico, pois foi aprovada no plenário da Câmara dos Deputados a MP 327 na versão piorada, com emendas do relator Paulo Pimenta (PT-RS).

A tentativa do Partido Verde e PSoL de unir-se ao PDT e ao PPS para derrubar a medida em plenário, pedindo verificação de quórum, não deu certo (ficou apenas PSoL e verdes totalmente contrários à MP).

Houve muito debate na tribuna mas ao final de uma votação nominal, a favor ou contra o relatório de Pimenta, contaram-se 247 votos favoráveis aos transgênicos, duas abstenções e 103 votos contrários.

O PT estava dividido entre apoiar o governo e a manobra do relator ou ficar com os ambientalistas e o grupo de esquerda formado por PV, PSOL, parte do PPS e do PDT. O deputado Adão Preto (PT-RS) denunciou a chantagem feita por produtores que primeiro plantam sementes contrabandeadas e depois fazem pressão através da bancada ruralista para aprovar a ilegalidade, com prejuízo ao meio ambiente.

O relator teria feito o jogo dos produtores e da Monsanto, ao incluir no relatório o algodão transgênico até então ilegal (originalmente o governo queria atender apenas ao sojeiros que o apoiaram e estão perdidos por causa da queda no preço e do câmbio estável). O lider do PV, Jovino Cândido (SP), admitiu que os ambientalistas perderiam a batalha.

O deputado Fernando Gabeira (RJ) denunciou a falta de uma política de biossegurança por parte do governo do PT. "Por isso mesmo devia adotar uma política baseada na precaução", emendou o ex-ministro do Meio Ambiente, deputado Sarney Filho (PV-MA).

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Fonte: Juliane Sacerdote, da Agência Brasil