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MPF/PA responde nota da Advocacia-Geral da União sobre caso Belo MonteProcuradores da República no Pará defendem trabalho que MPF realizou em relação ao projeto hidrelétrico
Belém (PA),
03 de fevereiro de 2.010 - O
Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) divulgou nesta quarta-feira, 3 de
fevereiro, texto em resposta à nota pública em que a Advocacia-Geral da União
(AGU) afirma que poderá recorrer ao Conselho Nacional do Ministério Público e
ajuizar ações de improbidade contra os responsáveis pelo ajuizamento das ações
referentes à Usina de Belo Monte. Veja a íntegra da resposta do MPF/PA: 1 - em diversas oportunidades, quer em juízo, quer administrativamente, o MPF deixou claro que vários vícios procedimentais estavam sendo praticados (tais como a realização meramente formal de audiências públicas, que, na forma como conduzidas, obrigariam um ribeirinho atingido pela obra a se deslocar de 200 a 255 quilômetros para falar por, no máximo, três minutos) e que tais erros implicariam a nulidade da licença que viesse a ser concedida; 2 - ainda durante a fase de análise do licenciamento, o MPF sustentou (e continua a fazê-lo) que estudos que seriam necessários para a análise prévia não poderiam ser postergados e, portanto, se era obrigação, por exemplo, estudar os impactos da obra sobre a população ribeirinha como um dos elementos do diagnóstico do Estudo Prévio de Impacto Ambiental, não poderia a licença prévia transformar tal obrigação em condicionante, jogando para o futuro aquilo que era obrigação do passado. Estes dois exemplos demonstram, claramente, que não há açodamento e que as conclusões iniciais não se construíram em horas, mas, sim, em anos de acompanhamento de um processo que envolve bem mais do que o marketing oficial ou a vontade soberana de quem quer que seja. É necessário, dentre outros temas, que o Estado brasileiro assuma quais os dados reais desta obra, tais como seu custo (se R$ 9,6 bilhões, como declarado no licenciamento, ou algo entre R$ 22 bilhões e R$ 30 bilhões como se anuncia agora), sua capacidade de produção de energia (já que a propaganda oficial insiste em divulgar 11 mil megawatts, deixando de anunciar que tal produção ocorrerá em apenas poucos meses de alguns anos e que estima-se uma produção efetiva de energia não superior a 4 mil megawatts), que condicionam a viabilidade econômico-financeira da obra e os impactos de tais decisões sobre o modelo de desenvolvimento sustentável que se pretende implantar. É necessário que a sociedade brasileira efetivamente veja suas instituições públicas funcionando, com o MPF exercendo sua função de fiscal da atividade estatal, com o Ibama velando por um licenciamento adequado e com a AGU atuando na defesa do Estado brasileiro, todos de forma responsável, sem incidir no risco da prematura condenação quanto às críticas aos atos administrativos. A crítica e o debate franco não deveriam, ainda hoje, causar tanto desconforto em quem ocupa funções públicas e deve estar aberto a ouvir a sociedade e a cumprir a obrigação da transparência e do respeito à ordem jurídica à coisa pública.
Ao MPF a
crítica é bem-vinda, será sempre considerada, mas não resultará no abandono de
suas obrigações e no cumprimento de seu papel, com lealdade e sem arrogância."
Nota à imprensa do PGR sobre atuação do MPF no caso de hidrelétricasBrasília, 03 de fevereiro de 2.010 - Em nota, procurador-geral da República, Roberto Gurgel, diz que a atuação do Ministério Público atende não à vontade pessoal de seus representantes mas ao que determina a Constituição
Em nota à
imprensa, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, esclarece que a
atuação de procuradores da República no caso de hidrelétricas no norte do país é
pautada pelo que determina a Constituição e as leis e certamente não será
obstada pelo aceno de medidas que, alegadamente dirigidas contra supostos abusos
e desvios, relevam intuito intimidatório. Confira a íntegra:
Movimentos sociais fazem ato de apoio à atuação do MPF/PA no caso Belo Monte5/2/2010 Manifestação é realizada depois que Advocacia-Geral da União criticou trabalho da instituição Representantes do Movimento das Mulheres Trabalhadoras de Altamira Campo e Cidade (MMTA-CC), do Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade (MMCC), da Sociedade Paraense de Direitos Humanos (SDDH) e da Prezalia do Xingu vão entregar ao Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) hoje, 5 de fevereiro, pedido de atuação da instituição contra irregularidades na licença expedida esta semana pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que autoriza o início das obras da hidrelétrica de Belo Monte.
O ato dos
movimentos sociais será uma demonstração de apoio ao MPF, cuja atuação dos
membros que atuam no caso foi criticada na última quarta-feira pela
Advocacia-Geral da União.
Assessoria
de Comunicação
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