Mundo perdeu dois Estados
de SP de florestas
na última década, diz ONU

São Paulo, junho de 2.010 - O mundo perdeu uma área
superior a dois Estados de São Paulo em florestas na última década, apesar da
queda no desmatamento, segundo um relatório divulgado nesta quinta-feira pela
FAO, a agência da ONU para agricultura e alimentação. Segundo o relatório
Avaliação Global de Recursos Florestais 2010, houve uma redução na área média
desmatada no mundo, de 16 milhões de hectares anuais durante a década de 1990,
para 13 milhões de hectares anuais na década de 2000.
O Brasil teve uma redução
significativa na perda de florestas na última década - de 2,9 milhões de
hectares anuais nos anos 1990 para 2,6 milhões nos anos 2000 -, mas permanece
como o país com o maior desmatamento no mundo.
A FAO observa que a perda
líquida de florestas no mundo na última década foi reduzida ainda por conta de
amplos programas de reflorestamento promovidos principalmente por China, Índia,
Vietnã e Estados Unidos.
Na comparação com a década
de 1990, houve uma redução de 37,3% no ritmo de perda de florestas no mundo na
última década - de 8,3 milhões de hectares (equivalente à área do Estado do Rio
de Janeiro) para 5,2 milhões de hectares (equivalente à área do Rio Grande do
Norte ou às áreas somadas do Espírito Santo e do Distrito Federal).
Concentração
Segundo o levantamento da
FAO, há 4 bilhões de hectares de florestas no mundo, o equivalente a cerca de
31% de toda a área terrestre. Cinco países - Brasil, Rússia, Canadá, Estados
Unidos e China - concentram mais de 50% de toda a área de florestas no mundo.
O relatório da ONU aponta a
América do Sul como o continente com a maior perda de área de florestas na
última década (4 milhões de hectares anuais), seguida da África, com 3,4 milhões
de hectares de florestas perdidas por ano.
No outro oposto, a Ásia
registrou um ganho líquido de 2,2 milhões de hectares anuais de florestas na
última década, graças aos programas de reflorestamento adotados por vários
países da região.
A China foi o país com o
maior ganho de florestas na última década, segundo a FAO.
O Brasil, a Indonésia e a
Austrália são apontados como os países com a maior perda líquida de florestas no
mundo. Mas enquanto no Brasil e na Indonésia houve uma redução no desmatamento
na última década, na Austrália houve um aumento, em consequência da seca e de
grandes incêndios florestais nos últimos anos.
Esforços coordenados
A FAO monitora a situação
das florestas no mundo a cada 5 ou 10 anos desde 1946. O relatório deste ano,
cujos dados completos devem ser divulgados somente em outubro, traz dados
coletados em 233 países e territórios do mundo.
"Pela primeira vez fomos
capazes de mostrar que o ritmo de desmatamento caiu globalmente como o resultado
de esforços coordenados tanto no nível local como no nível internacional",
afirma Eduardo Rojas, diretor-geral assistente do Departamento de Florestas da
FAO.
A organização observa,
porém, que o nível de desmatamento ainda é muito alto em muitos países e destaca
a importância que as florestas têm no combate ao problema das mudanças
climáticas, por serem grandes depósitos de carbono - floresta desmatada
significa mais carbono na atmosfera.
Segundo Mette Løyche Wilkie,
coordenadora do relatório, o fato de os programas de reflorestamento da China,
da Índia e do Vietnã estarem previstos para terminar em 2020 significa que há
uma ameaça de que haja um novo aumento nas perdas de florestas no mundo se não
houver novas intervenções para conter o desmatamento e para promover o
reflorestamento.
Fonte:
Departamento de Florestas da FAO (ONU)