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No Dia da
Terra os ruralistas querem
acabar com ela No dia 22 de Abril daquele ano, mais de 20 milhões de ativistas foram ás ruas, liderados pelo Senador Gaylord Nelson, para protestar contra os altos índices de poluição do ar e da água, os elevados níveis de chumbo no sangue de crianças por causa da gasolina e pela contaminação por substâncias tóxicas que atormentavam o País. O movimento foi conseqüência das denúncias geradas pela publicação do livro “Primavera Silenciosa” de Rachel Carson no qual se abordou pela primeira vez os efeitos nocivos dos agrotóxicos. O resultado dessa imensa mobilização de costa a costa foi a criação da poderosa Agência de Proteção Ambienta (EPA) que hoje, sob o comando da ambientalista Carol Browner se prepara para assinar o “Protocolo de Kyoto” e já reconheceu a importância antrópica sobre as emissões de carbono na atmosfera. Pode-se afirmar que o “Dia da Terra” foi um fato fundamental para a realização da Conferência do Rio, em 1992. Com a eleição de Barack Obama a mudança climática e a segurança energética estão hoje entre os desafios de política mais importantes dos EUA e, do resto do Planeta. Obama disse: “Perigos urgentes à nossa segurança nacional e econômica são compostos pela ameaça de longo prazo da mudança climática que, se deixada como está, poderá resultar em conflitos violentos, tempestades terríveis, encolhimento das áreas costeiras e catástrofes irreversíveis. Os EUA não podem ficar reféns de recursos escassos, regimes hostis e um Planeta com a temperatura aumentando. Não deixaremos de agir só porque é difícil. Agora é a hora de fazer escolhas duras Agora é a hora de enfrentar o desafio nesta encruzilhada da história escolhendo um futuro que seja mais seguro para nosso País, próspero para nosso Planeta e sustentável”. E, neste dia 22 de Abril de 2.009, ele saiu da Casa Branca para plantar árvores no Parque Nacional perto do Rio Anacostia, em Washington. Esse clima virgiliano infelizmente não foi vivido no Brasil. A Câmara dos Deputados está prestes a aprovar um Projeto de Lei que lesa gravemente os nossos ecossistemas e biomas ao pretender alterar o Código Florestal criando o Código Ambiental Brasileiro. A bancada ruralista deseja descentralizar a política ambiental brasileira, que é uma das mais avançadas do mundo, para privilegiar leis estaduais predadoras e irresponsáveis, como já aconteceu na Assembléia Legislativa de Santa Catarina. O Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse “Sou contra estadualizar a legislação ambiental federal. Os ruralistas têm uma idéia antiquada de que quanto mais terra para produzir, melhor, independente se isso amanhã assoreará os rios, desmatará as encostas e as pessoas morrerão rolando encosta abaixo ou sendo submergidas pela torrente das águas. Isso é uma visão absolutamente irresponsável. Há 15 anos, o Congresso brasileiro tenta modificar o Código Florestal e não consegue, porque há opiniões diferentes. A negociação da atualização do Código Florestal é necessária, mas sem destruir as defesas ambientais. Eu sou um daqueles que quer ajudar, mas dentro do lema mais produção e mais proteção”. O jornal O Globo, entrou no coro dos ambientalistas ao denunciar na coluna Panorama Político, num texto intitulado “Terra Arrasada” que, foi comentado por Luciano Martins do Observatório da Imprensa, “os inimigos da preservação ambiental estão espalhados por todos os partidos, mas um deles, o Democratas, parece ter assumido como objetivo a destruição da legislação ambiental criada no Brasil nos últimos anos e que, com todos os defeitos, ainda é considerada um avanço”. O Globo insiste afirmando que "os adversários da legislação ambiental encontraram uma forma para torná-la letra morta". É bom ouvir Marina Silva advertindo gravemente que o Código “retira competências e responsabilidades dos órgãos estaduais na proteção ambiental, reduz áreas protegidas e, atenta contra a Constituição e a legislação federal, numa verdadeira desobediência civil às avessas, em nome de um pretenso desenvolvimento”. Depois de instituído o Dia da Terra, há 29 anos, como celebração universal, os políticos mais reacionários do Brasil querem continuar depredando os ecossistemas e os recursos naturais que já deram tanto lucro a eles. Triste “Dia da Terra” num país onde se cortam árvores! Gaia Viverá! Lúcia Chayb e René Capriles Revista Eco21 – link original: http://www.eco21.com.br
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