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ONU nega conflito em indicação de autoridade ambiental

A ONU - Organização das Nações Unidas negou na segunda-feira (01) que a nomeação do seu novo diretor ambiental tenha relação com sua presença em um júri que concedeu um prêmio de 500 mil dólares ao secretário-geral Kofi Annan.

Achim Steiner, um alemão com considerável experiência em conservação ambiental, foi indicado em março por Annan para chefiar o Programa Ambiental da ONU, que funciona em Nairóbi. Steiner havia sido jurado do Prêmio Internacional Zayed para o Meio Ambiente, de Dubai, que em dezembro premiou Annan.

"O senhor Steiner foi indicado após longa e exaustiva busca," disse Stephane Dujarric, porta-voz de Annan. "Estávamos cientes de todos os fatos, e o secretário-geral ainda assim considerava que era a melhor pessoa para liderar a organização."

A nomeação de Steiner, segundo Dujarric, não teve relação com o prêmio dado a Annan, que entregou o dinheiro à caridade. O porta-voz admitiu que o nome de Steiner não foi apresentado pela Alemanha para substituir o também alemão Klaus Toepfer - o ambientalista entrou em uma lista posterior, já no final do processo.

A decisão final, segundo Dujarric, coube a Annan, após consultas a assessores e ONGs ambientais. Annan tem dito que, após deixar o cargo, no final deste ano, criaria uma fundação dedicada à agricultura e à educação feminina na África. Dúvidas sobre um possível conflito de interesses foram levantadas no sábado (29) pelo jornal The Financial Times.

Steiner assume o cargo em Nairóbi em junho. Atualmente, ele é diretor geral da World Conservation Union, a maior rede ambiental do mundo, com mais de mil membros em 140 países.

O Prêmio Internacional Zayed para o Meio Ambiente é concedido bienalmente desde 2001 pelos Emirados Árabes Unidos. Entre os vencedores anteriores estão o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter e a emissora britânica BBC.

O presidente do júri que concedeu o prêmio foi Toepfer, antecessor de Steiner. Entre os demais jurados estavam Yolanda Kakabadse, ex-presidente da World Conservation Union; David King, cientista-chefe do governo britânico; Mario Molina, Nobel de Química em 1995; e Yoriko Kawaguchi, ex-chanceler japonesa.