Os perigos do excesso do
lixo eletrônico

São Paulo, novembro de 2.009 - Há mais de dez anos tem crescido enormemente o
uso de dispositivos eletrônicos portáteis, como computadores, telefones
celulares e tocadores de música (primeiramente CD e, depois, arquivos digitais).
Um dos resultados, que a princípio não parecia preocupante, é o acúmulo de lixo.
Eletrônicos hoje representam o tipo de resíduo sólido que mais cresce na maioria
dos países, mesmo nos em desenvolvimento. Um dos grandes problemas de tal lixo
está nas baterias, que contêm substâncias tóxicas e com grande potencial de
agredir o ambiente.
Em artigo publicado na edição desta sexta-feira (30/10) da revista Science,
pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, comentam o
problema e a ausência de políticas adequadas de reciclagem.
“O pequeno tamanho, a curta vida útil e os altos custos de reciclagem de tais
produtos implicam que eles sejam comumente descartados sem muita preocupação com
os impactos adversos disso para o ambiente e para a saúde pública”, apontam os
autores.
Eles destacam que tais impactos ocorrem não apenas na hora de descartar os
equipamentos eletrônicos, mas durante todo o ciclo de vida dos produtos, desde a
fabricação ou mesmo antes, com a mineração dos metais pesados usados nas
baterias.
“Isso cria riscos de toxicidade consideráveis em todo o mundo. Por exemplo, a
concentração média de chumbo no sangue de crianças que vivem em Guiyu, na China,
destino conhecido de lixo eletrônico, é de 15,2 microgramas por decilitro”,
contam.
Segundo eles, não há nível seguro estabelecido para exposição ao chumbo, mas
recomenda-se ação imediata para níveis acima de 15,2 microgramas por decilitro
de sangue.
Os pesquisadores estimam que cada residência nos Estados Unidos guarde, em
média, pelo menos quatro itens de lixo eletrônico pequenos (com 4,5 quilos ou
menos) e entre dois e três itens grandes (com mais de 4,5 quilos). Isso
representaria 747 milhões de itens, com peso superior a 1,36 milhão de
toneladas.
O artigo aponta que, apesar do tamanho do problema, 67% da população no país não
conhece as restrições e políticas voltadas para o descarte de lixo eletrônico.
Além disso, segundo os autores, os Estados Unidos não contam com políticas
públicas e fiscalização adequadas para a reciclagem e eliminação de substâncias
danosas dos produtos eletrônicos.
Os pesquisadores pedem que os governos dos Estados Unidos e de outros países
coloquem em prática medidas urgentes para lidar com os equipamentos eletrônicos
descartados. Também destacam a necessidade de se buscar alternativas para os
componentes que causem menos impactos à saúde humana e ao ambiente.
O artigo "The electronics revolution: from e-wonderland to e-wasteland", de
Oladele Ogunseitan e outros, pode ser lido por assinantes da Science em
www.sciencemag.org
Fonte: Agência FAPESP