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Pacote
habitacional deveria incluir medidas de planejamento urbano, diz relatora da ONU
Brasília, abril de 2.009 - O pacote habitacional do governo, que prevê a construção de 1 milhão
de casas, corre o risco de reproduzir falhas da políticas de moradia que ao
longo dos anos criou cidades baseadas na segregação espacial e sem garantia de
acesso das populações de baixa renda aos equipamentos urbanos. A avaliação é da
relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à
Moradia Adequada, Raquel Rolnik.
“Tradicionalmente a política habitacional praticada no país fala apenas da casa
e não do lugar na cidade. Deixa que isso seja resolvido no mercado e a moradia
popular acaba se instalando onde não existe cidade, em periferias, em situação
de homogeneidade social, formando guetos”, argumentou a relatora da ONU.
A inclusão de elementos que fortaleçam os instrumentos de organização
territorial dos municípios, como os planos diretores, e outros previstos no
Estatuto das Cidades são “aperfeiçoamentos” que ainda podem ser incluídos no
pacote, na avaliação da especialista. “Essa é uma oportunidade histórica. Nunca
uma quantidade tão grande de recursos foi disponibilizada para habitação de
interesse social”, avalia.
A secretária nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Inês Magalhães,
reconhece que o governo não preparou nenhuma medida específica de planejamento
urbano no âmbito do plano, mas argumenta que, por se tratar de uma medida
prioritariamente econômica – para geração de empregos –, o pacote não pretende
trazer soluções do ordenamento das cidades.
“Há uma preocupação evidente com a questão urbana, mas nós não podemos exigir de
um instrumento que não se propõe a fazer isso que ele resolva”, justifica
Magalhães.
“Mesmo que o pacote não tenha sido pensado para produzir cidades, ele vai
produzir. Poderá ser do jeito que está hoje ou pode sinalizar uma mudança de
padrão; e sem prejuízo de nenhum dos seus objetivos”, argumenta Raquel Rolnik.
A relatora da ONU e a secretária de Habitação concordam sobre a responsabilidade
intransferível dos município na gestão do uso e ocupação dos solos, mas a
relatora defende a criação de uma política urbana nacional, para balizar ações
no âmbito das cidades, como já acontece com as políticas de educação básica, por
exemplo. “O governo pode e deve ter política urbana que sinalize claramente para
o município: tem mais recursos quem fizer isso ou aquilo”, sugere.
A expectativa da secretária Inês Magalhães é de que os programas desenvolvidos
pelo Ministério das Cidades até agora sejam suficientes para amortecer os
possíveis impactos do aumento maciço da oferta habitacional.
“Vimos desenvolvendo isso desde 2005, a questão dos planos diretores,
financiamento dos planos estaduais e municipais de habitação. Esperamos que
esses instrumentos dêem suporte à implementação adequada nos municípios dessas
habitações.”
Fonte: Luana Lourenço, Repórter da Agência Brasil
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