Palmito: o consumo irresponsável e a exploração ilegal e predatória tornou as palmáceas, em especial a juçara, espécie ameaçada de extinção



São Paulo, dezembro de 2.005 - O Palmito é um alimento extraído do broto de palmáceas. Na Mata Atlântica, as palmeiras das quais se extrai o palmito desempenham um papel essencial para a manutenção do ecossistema. A mais famosa delas é a juçara (Euterpe edulis), devido à sua qualidade superior,  ainda é intensamente explorada de forma ilegal e predatória desde o Rio Grande do Sul até o Espírito Santo  e está ameaçada de extinção.

A mata atlântica era bastante rica nessa espécie. Entretanto, com a degradação desta floresta nas últimas décadas, tivemos uma escassez bastante grande de palmito. A partir dos anos 90, as leis ambientais, tornaram a exploração desta espécie restrita a um manejo florestal.
 

A palmeira juçara é uma das espécies-chave para o funcionamento do ecossistema. Muito mais abundantes durante o ano e também muito mais saborosos e ricos em nutrientes do que os de outras espécies, os frutos e sementes  são importantes para a sobrevivência de várias espécies de aves, roedores e até de macacos.

 


Esses animais, por sua vez, participam da dispersão das sementes de várias espécies de plantas e árvores por toda a floresta. Desse modo, a derrubada das palmeiras juçara afeta em vários níveis os processos ecológicos, fragilizando ainda mais os escassos remanescentes da Mata Atlântica.
 

Intensamente derrubadas a partir do século 20 para delas ser aproveitado somente um vigésimo de sua imponente estrutura. Hoje, a grande floresta que se estendia ao longo do litoral tem menos de 8% da área que tinha em 1500. A devastação do palmito acarretará o final da única área de reserva ambiental da região do Vale do Paraíba, com conseqüências desastrosas para o meio ambiente.

 

A exploração predatória desse produto também traz graves riscos à saúde do consumidor e, além disso, é uma atividade criminosa, que já causou mortes de palmiteiros e de vigias. Hoje, bandos armados invadem reservas florestais, roubam palmito e o embalam sem cuidados de higiene, ameaçam de morte familiares dos vigias, impõem um código de silêncio às comunidades locais e resolvem conflitos com muita violência.
 

Para evitar serem surpreendidos pela polícia ou pela fiscalização com as longas hastes recém-cortadas, os palmiteiros processam o palmito na própria floresta. O produto é colocado em uma solução de água de córregos – muitas vezes contaminada por processos naturais, como apodrecimento de folhas – com sal e conservantes. Depois, ele é fervido em latões, na maioria das vezes enferrujados, colocado em vidros, que podem, na própria floresta, receber rótulos obtidos ilegalmente. O risco para o consumidor é o de contrair graves infecções, como o botulismo.

 

Só no mês de dezembro de 2.005, com a ajuda do Batalhão Florestal da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro foram apreendidas 3 toneladas de palmito juçara, e fechadas 2 indústrias clandestinas em Volta Redonda.

 

Uma das reservas atingidas pela exploração predatória da palmeira juçara é o Parque Nacional do Itatiaia:
 

Caixa Postal 83.657 - Itatiaia - RJ

E-mail: pnitatiaia@resenet.com.br

Fone/Fax: (0**24) 352-1652 e 3352-1461

 

A palmeira juçara não é a única a produzir o palmito, que também pode ser extraído da palmeira real da Austrália, pupunha e açaí. 

 

Há empresas idôneas que têm plantações próprias e que respeitam a natureza. Pesquise, informe-se e só consuma palmito extraído legalmente e sem agressão ao meio ambiente.

 

Na dúvida, não compre! 
 


Viveiro de mudas de palmeiras

 
Plantação de palmeiras para extração de palmito.