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Na contramão da história
ambiental O PAN 2007 se revela como uma iniciativa avançando pela contramão da história ao ignorar as medidas que o Comitê Olímpico Internacional exige para as Olimpíadas: um planejamento verde em todas as suas facetas e em todas as suas manifestações. O Rio de Janeiro decidiu ignorar que não se pode construir aqui um prédio sem as normas ambientais mínimas que farão dele uma edificação inteligente. A Vila Olímpica, o Estádio João Havelange e as outras estruturas erguidas para a prática dos esportes são a maior demonstração disso. São construções que não foram desenhadas para otimizar a utilização da água, do esgoto, da energia nem do transporte. Barcelona, Sydney, Atenas, ao acolherem os Jogos Olímpicos redesenharam a arquitetura dessas cidades e deixaram uma herança limpa que é até hoje aproveitada por seus habitantes. Beijing, que acolherá as próximas olimpíadas, em 2008, deu absoluta prioridade à questão ambiental. O governo chinês está decidido a limpar até o ar da capital para fazer desse evento um marco na história do ambientalismo. O Brasil, obstinado em construir mais hidrelétricas e centrais nucleares, está descuidando as poderosíssimas fontes renováveis que hoje são a esperança da Europa. Portugal, Espanha, Alemanha e França decidiram investir maciçamente no campo fotovoltaico e eólico, desmontando, inclusive, as centrais nucleares. A União Européia já incorporou o conceito de desenvolvimento sustentável como fundamento da democracia em todos os seus países. A cientista social Laurence Tubiana afirma que a opção do tipo de desenvolvimento está estreitamente ligada aos valores que cada sociedade privilegia. A elaboração desses valores é um processo social que se constrói com uma historicidade própria. No caso do Brasil, essa história está sendo negligenciada ao ceder aos interesses dos construtores de megaempreendimentos como são as hidrelétricas do Rio Madeira, a transposição do Rio São Francisco e a construção de Angra 3. Mais de um político de estatura nacional propôs a adoção de uma política de “desmatamento zero”; a criação de uma Agência de Energias Renováveis que assuma o desenvolvimento ordenado das plantações de cana-de-açúcar e de outros vegetais para produzir etanol e biodiesel com a finalidade de evitar que a monocultura destrua a agricultura familiar.
O recente informe do WWF sobre a
energia no Brasil demonstra que não é necessário construir mais usinas. Basta
racionalizar o uso da eletricidade mediante uma intensa campanha educativa e
apostar no potencial renovável que dispõe um país solar como o Brasil. Para isso
é necessário uma decisão política que conduza o País para um futuro limpo, sem
corrupção nem injustiça social.
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