Pecuária
é a principal causa de desmatamento na Amazônia

Brasília
- 12/02/04 - Grande parte do desmatamento recente na Amazônia brasileira tem
como principal causa a pecuária de médio e grande porte. Essa é a principal
conclusão do estudo intitulado Causas do Desmatamento da Amazônia Brasileira,
do economista ambiental Sérgio Margulis, apresentado ontem aos ministros da
Integração Nacional, Ciro Gomes, e do Meio Ambiente, Marina Silva, na sede do
Banco Mundial, em Brasília.
O estudo mostra que hoje 12% da Amazônia Legal, cerca de 600 mil km², são áreas
de atividade agropecuária. A atividade também seria responsável por 75% das
áreas desmatadas na região amazônica. A grande lucratividade da pecuária foi
apontada como o maior empecilho para a conscientização dos pecuaristas para
evitar o aumento das derrubadas. Segundo o estudo, um pecuarista ganha, em média,
US$ 75 por ano por hectare desmatado, mas os custos sociais seriam ainda
maiores, de US$ 100 dólares por ano por cada hectare.
Esse seria, segundo Margulis, um forte argumento para que o governo negociasse
com os pecuaristas uma forma de compensação que evitasse o desmatamento
desordenado da floresta.
Para o ministro Ciro Gomes, é necessário criar alternativas econômicas viáveis
para as áreas que já foram desmatadas e criminalizar os desmatamentos futuros.
“Existem vastas extensões desflorestadas que estão subtilizadas ou
abandonadas que devem ser ocupadas para desestressar a fronteira adiante do
desflorestamento e para mostrar a possibilidade de um manejo florestal inclusive
mais rentável e mais lucrativo do que destruir a floresta para criar boi”,
afirmou.
A ministra do Meio Ambiente Marina Silva lembrou que o manejo florestal, ou uso
das riquezas da floresta de maneira sustentável, pode ser uma alternativa em
substituição à derrubada da floresta. “Além do mais não se precisa ter
toda uma estrutura para coibir o desmatamento ilegal ou o uso ilegal da
floresta”, disse a ministra.
Marina Silva lembrou que já estão em andamento duas ações governamentais
importantes para evitar o desmatamento, o programa Amazônia Sustentável, que
trabalha políticas de desenvolvimento para a região pensando os programas de
infra-estrutura voltados para o desenvolvimento sustentável, tecnologias avançadas,
inclusão social e ordenamento territorial, e o Programa de Combate ao
Desmatamento, coordenado pela Casa Civil com a participação de 11 ministérios,
cujo trabalho está prestes a ser concluído e que propõe políticas
focalizadas nas áreas de desmatamento.
“Não é uma tarefa fácil, não se consegue inverter um processo como esse da
noite para o dia, mas há um esforço integrado de governo pela primeira vez, já
que a tarefa de combater o desmatamento na Amazônia não é uma tarefa apenas
do Ministério do Meio Ambiente, se constitui num esforço de governo e uma
parceria muito forte com os governos estaduais”, disse a ministra.
Marina Silva informou ainda que estudos recentes mostram que o atual governo
conseguiu evitar em 2003 cerca de 30% do que foi devastado na Amazônia em 2002.
Fonte: Agência Brasil