Governo quer evitar entrada de 11 milhões de pneus usados
por ano no Brasil
Brasília,
05 de novembro de 2005 - O governo brasileiro quer proibir definitivamente a
importação de pneus usados e normatizar o descarte, a coleta e a reutilização do
produto no país. Projeto de lei neste sentido foi enviado ao Congresso Nacional
há cerca de uma semana. O texto, elaborado por sete ministérios - Justiça,
Saúde, Meio Ambiente, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Relações
Exteriores, Fazenda e Casa Civil - agora será analisado pelas comissões de Meio
Ambiente, Desenvolvimento Econômico e Constituição e Justiça da Câmara dos
Deputados.
"O projeto busca criar um sistema de gestão ambientalmente sustentável para os
pneus", resume o secretário de qualidade ambiental do Ministério do meio
Ambiente, Victor Zveibil. De acordo com o secretário, o texto estabelece
conceitos sobre o que é pneu novo e usado, formas de reutilização, institui um
sistema ambientalmente sustentável e repassa ao Conselho Nacional de Meio
Ambiente (CONAMA) a responsabilidade de regulamentar este sistema, "de maneira
que o Brasil não se torne o lixão do mundo", disse Zveibil.
O Brasil produz anualmente 50 milhões de pneus. Apesar da importação de bens
usados ser proibida por resoluções, outros 11 milhões de pneus usados entram no
país todo ano, por meio de liminares judiciais. E esse volume deve crescer ainda
mais a partir de 2006, quando entra em vigor norma da União Européia que
proibirá o descarte de pneus em seus aterros sanitários e terá que arrumar um
destino para 80 milhões de carcaças descartadas por ano.
"A questão é bastante grave do ponto de vista ambiental e de saúde pública e tem
sido objeto de várias disputas internacionais e pressões para que os países em
desenvolvimento recebam o que eles já não podem descartar lá. Sai muito mais
barato exportar o lixo do que dar o tratamento ambientalmente adequado", afirma
o secretário.
Segundo Zveibil, a União Européia alega, na Organização Mundial do Comércio (OMC),
que o Brasil recebe pneus usados uruguaios e, por isso, deveria levantar
permitir a entrada de pneus de todos os países. "Recebemos pneus uruguaios por
conta de uma decisão do Tribunal Arbitral do Mercosul, que nos obrigou a receber
estes pneus. Para o governo brasileiro, é uma questão de meio ambiente e de
saúde pública e, com esta visão, o Brasil está decidido, se for o caso, a
enfrentar um contencioso com a União Européia", revela.
Neste sentido, é fundamental que o país tenha legislação específica sobre o
tema, ainda que em tramitação. "Termos uma legislação mais consistente e mais
vigorosa nos dá melhores condições neste debate", avalia o secretário.
Fonte:
Agência Brasil
