Marina Silva defende na OMC o direito de
barrar a entrada de pneus usados no Brasil
Brasília,
04 de julho de 2.006 - A entrada de pneus reformados e usados no Brasil será discutida
amanhã (5) na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra. A União
Européia, interessada em abrir as fronteiras brasileiras para os seus pneus,
solicitou a realização de um painel arbitral. O Brasil, que pretende mantê-los
longe, será representado por uma delegação composta pela ministra do Meio
Ambiente, Marina Silva, e outros integrantes do governo.
Os brasileiros usarão um argumento ambiental para tentar ganhar o direito de
continuar proibindo a entrada de pneus de segunda mão. "Ao contrário do que a
União Européia diz, a posição do Brasil não foi tomada por razões comerciais.
Nós vamos defender que nossa defesa está baseada em questões ambientais e
sanitárias", esclarece o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente,
Cláudio Langone.
O secretário afirma que essa é a primeira vez que a OMC vai tentar resolver uma
questão de cunho ambiental. Para ele, as chances do Brasil são maiores porque a
defesa não está baseada em argumentos comerciais. E pode favorecer outras nações
que venham a enfrentar o mesmo tipo de disputa. "Nossa expectativa é sobre a
importância que esta questão tem com a criação de jurisprudência, que vai
favorecer outros países em desenvolvimento que sofrem esse mesmo tipo de
pressão".
Também serão discutidas na Câmara de Comércio Exterior (Camex) outras medidas
que possam ser tomadas para limitar ou dificultar a entrada de pneus usados no
país. A questão do que fazer com esse tipo de material é um problema mundial. O
impasse começou em 2003, quando uma associação européia de vendedores e
recapeadores de pneumáticos alegou que a proibição da exportação para o Brasil
estaria causando prejuízos comerciais.
De acordo com dados divulgados recentemente pelo MMA, a Europa produz anualmente
cerca de 300 milhões de carcaças e despeja 26% em aterros sanitários – o que
agora é proibido por uma lei que entrou em vigor no mês passado. "As destinações
que eles podem dar dentro da Europa são todas muito caras. A alternativa é
enviar esse lixo para países em desenvolvimento e por isso querem que o Brasil
autorize a entrada", explica Langone, que prevê conclusão do processo até
outubro.
Estarão presentes para acompanhar o processo representantes da Argentina,
Austrália, China, Cuba, Estados Unidos, Guatemala, Nova Zelândia, Japão,
Paraguai e Islândia.
Fonte:
Monique Maia,
Da Agência Brasil
