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Políticos e fazendeiros respondem na Justiça por homicídio de indígenas Denúncia do MPF é aceita e seis réus respondem por duplo homicídio e ocultação de cadáveres no Mato Grosso do Sul
As
mortes ocorreram durante expulsão de área reivindicada pelos indígenas como de
ocupação tradicional da etnia guarani-kaiowá (Tekoha Ypo´i), na Fazenda São
Luiz, em Paranhos, em 31 de outubro de 2009. Conforme a denuncia, quatro dos
réus - Evaldo, Moacir, Antônio Pereira e Joanelse – e outras pessoas ainda não
identificadas, contando com o auxílio dos réus Fermino e Rui, chegaram ao local
em caminhões e caminhonetes, efetuando disparos com pelo menos sete armas de
fogo de vários calibres (12, 32, 36, 9mm Luger, 30 e 38) e agredindo o grupo de
50 indígenas. Mário Vera, à época com 89 anos, recebeu pauladas nas costas,
ombros e pernas. Os dois professores foram mortos e os corpos, ocultados.
O corpo
de Jenivaldo foi encontrado uma semana depois, em 7 de novembro, dentro no Rio
Ypo´i, próximo ao local do conflito. Segundo boletim de ocorrência, Jenivaldo
“estava sem camisa, com cueca e calção, descalço, com perfuração de arma de
grosso calibre frontal no peito e nas costas”. A perícia comprovou que a morte
foi causada por um tiro nas costas, que saiu pelo peito, causando a hemorragia
fatal. Apesar das buscas realizadas pela Polícia com o auxílio do Exército e do
Corpo de Bombeiros, o corpo de Rolindo não foi encontrado até hoje. Depois de expulsos em 2009, os indígenas guarani-kaiowá reocuparam a área de reserva legal da Fazenda São Luís em 19 de agosto de 2010. Eles estão amparados por decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região - TRF3 - que cassou ordem de reintegração de posse “até a produção de prova pericial antropológica”, ou seja, os estudos que confirmem os indícios de ocupação tradicional da região por aquele grupo étnico. Segundo o Tribunal, "existem provas de que a Fazenda São Luiz pode vir a ser demarcada como área tradicionalmente ocupada pelos índios".
Fonte: MPF
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