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Povo potiguara retoma terras
invadidas por usineiros, na Paraíba
Brasília, 22 de março de 2.007 -
Cansados de esperar pela demarcação de suas terras, os Potiguara, no município
de Rio Tinto, Paraíba, retomaram parte de sua terra, que estava invadida por uma
usina canavieira. A área era ocupada pela Fazenda Rafaela.
Cerca de 50 famílias – 150 pessoas - estão acampadas desde o dia 19 de março e
trabalham na construção de casas e a abertura de roças. A retomada foi iniciada
no inicio de fevereiro, sem a ocupação humana. Os indígenas arrancaram a
cana-de-açúcar e plantaram alimentos como feijão, macaxeira, inhame, milho e
verduras. Na manhã desta terça-feira, 20 de março, a primeira casa foi
concluída.
Já existe um pedido de reintegração de posse, mas a situação na retomada está
tranqüila.
Em agosto de 2003, os Potiguara retomaram a terra da então usina Japungu, após
os usineiros terem tentado passando um trator por cima de roças deste povo para
aumentar sua área de plantação de cana. Desde a retomada, os Potiguara usam a
área para moradia e produção de alimentos.
A partir da década de 1970, as terras Potiguara foram invadidas por plantações
de cana de açúcar, usada para a produção de álcool e açúcar nas usinas que se
instalaram na região, incentivadas pelo programa Próalcool. Naquela época, junto
com as promessas de emprego as usinas trouxeram desmatamento, diminuição das
áreas de roça, degradação do solo, envenenamento dos manguezais onde a
comunidade coletava mariscos e caranguejos para se alimentar e vender.
A terra Potiguara fica nos municípios de Rio Tinto, Marcação e Baia da Traição.
Parte do território deste povo (as terras Jacaré de São Domingos e Potiguara)
teve sua demarcação concluída. A terra Poriguara de Monte Mor, de 7.487
hectares, está identificada, mas ainda é objeto de disputas judiciais.
A retomada se consolida na mesma semana em que o presidente Lula - que tem
apresentado o biodiesel como o novo grande produto do país para exportação -
chamou produtores de cana de “heróis”. “Os usineiros de cana, que há dez anos
eram tidos como bandidos do agronegócio neste país, estão virando heróis
mundiais e nacionais porque o mundo está de olho no álcool”, afirmou o
presidente durante inauguração de indústria em Goiás.
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