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Mapeamento da CETESB mostra que dez cidades interioranas com mais de 200 mil habitantes estão com o ar saturado.
Problema também afeta cada vez mais a
população de municípios da Baixada Santista e da Grande SP São Paulo, julho/agosto de 2.010 - A afirmação de que a cidade de São Paulo tem uma poluição do ar crônica não surpreende mais ninguém. Desde 2005, porém, o mesmo problema está cada vez mais persistente nas grandes cidades do interior do Estado, da região metropolitana de São Paulo e da Baixada Santista. Segundo a mais recente classificação da saturação do ar do Estado, feita pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de SP), dez cidades do interior com mais de 200 mil habitantes têm o ar saturado (veja quadro ao lado). Entre elas, estão importantes centros econômicos como Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos e Taubaté. Outras estão com o ar em vias de saturação, como São Carlos, Araraquara, Bauru e São José do Rio Preto. Na comparação entre relatórios semelhantes emitidos em 2008, 2009 e 2010 -mas que consideram os números de 2005 a 2009-, a situação piorou em cidades como Santos, Santo André e Cubatão.
O ar
saturado pode trazer problemas de saúde à população, principalmente crianças e
idosos. O risco de câncer de pulmão é maior. Segundo a Cetesb, a poluição nesses locais está mais relacionada a fontes locais de contaminação, sejam elas fixas -como indústrias- ou móveis, como veículos. Em alguns casos, porém, a influência da poluição da capital não pode ser descartada. "Em Santos, o principal problema são as partículas em suspensão, geradas, por exemplo, pelo grande movimento de caminhões transportando grãos no porto", diz Carlos Komatsu, gerente do Departamento de Qualidade Ambiental da CETESB. A agência é obrigada a dizer anualmente onde a qualidade do ar está preocupante.
A
legislação de 2007 obriga, ainda, a classificar a saturação do ar como moderada,
séria ou severa. Na lista recém-divulgada, 44 cidades -todas praticamente ao
redor da capital- estão com o grau mais alto de poluição. Os principais poluentes que causam esse quadro, revelam os números da Cetesb, têm nome e endereço. O ozônio, chamado de poluente secundário -por se originar de um processo e não de uma fonte de emissão direta- é um dos principais problemas. Ele é formado a partir de substâncias oriundas da queima incompleta dos combustíveis veiculares. Como mostrou ontem reportagem da Folha, a frota do país aumentou 52% em cinco anos (2005 a 2010), puxada, principalmente, pelo crescimento do total de motos (expansão de 105%). A frota de carros cresceu 40%, e a de caminhões, 45%. Em termos estruturais, os especialistas concordam que a primeira ação a ser feita nas cidades com altos índices de ozônio e material particulado -um problema praticamente mundial hoje- é o controle do uso do diesel.
Estimativas
mostram que 80% e 40% dos precursores dos dois poluentes, respectivamente,
derivam da frota a diesel. As motos, também, principalmente as mais antigas
(fabricadas antes de 2008), são bem mais poluentes que o carro -algumas chegam a
jogar 20 vezes mais poluentes na atmosfera. "Em termos gerais, a situação ainda não melhorou, mas, a partir de 2013, teremos ações mais efetivas para controlar a poluição das novas fontes de emissão, como indústrias", diz Komatsu. A legislação de 2007, afirma, era para controlar as novas fontes de poluição. Uma das ações que a Cetesb pode fazer, por exemplo, é endurecer o licenciamento ambiental de novas indústrias onde a poluição do ar estiver severa. "Sobre as fontes antigas, não tem muito o que fazer." Fonte: Folha de São Paulo - Cetesb
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