Material radioativo encontrado em alimentos e no cigarro pode causar câncer

São Paulo, maio de 2.004 - Pesquisa do Instituto de Física (IF) da USP alerta para a possibilidade de haver grande quantidade de urânio, material radioativo, em alimentos de origem animal e vegetal, transmitido ao homem por meio da cadeia alimentar. Para o professor João Arruda, isso pode significar um aumento da probabilidade de riscos para o desenvolvimento de câncer. 

Arruda explica que os fertilizantes usados em vegetais e os complementos minerais da ração utilizada na alimentação de animais apresentam elevados índices de urânio. Em seus estudos de laboratório, detectou a transferência do urânio do fertilizante para as plantas e da ração para os animais. Como o homem é a ponta da cadeia alimentar, acaba ingerindo o material radioativo. 

O professor diz que, a radiação emitida pelo urânio, quando no ambiente, é barrada pela pele, mas quando ingerida pode causar efeitos a longo prazo. Se consumida em pequenas quantidades, há chances da pessoa viver ilesa. Mas no caso de doses maiores "na certa vai acontecer alguma coisa, principalmente o desenvolvimento do câncer", comenta.

No homem, um dos lugares mais prováveis para o urânio se alojar é no esqueleto (ossos e medula). O organismo reconhece o urânio como cálcio e o envia para os ossos. Assim, o urânio instalado em partes do corpo humano bombardeia o organismo, emitindo radiação que atravessa tecidos, arrebenta células, desconcerta cromossomos, forma radicais livres e provoca mutações. 

Além dos alimentos, o tabaco, como vegetal, apresenta grandes quantidades de urânio. No caso do cigarro, o professor diz que a situação se agrava, porque o urânio inalado é a forma mais eficiente de se absorver o elemento. 

Segundo Arruda, a radiação é a única causa comprovada do desenvolvimento do câncer. Como os alimentos podem apresentar muito urânio, o professor alerta sobre a necessidade de se estudar a relação do desenvolvimento do câncer com o tipo de alimentação das pessoas. "Não há registros epidemiológicos sobre os problemas que o urânio ingerido pode trazer para a saúde humana".

Mas há a possibilidade de problemas trazidos pelo urânio estarem sendo atribuídos a outros fatores. No Brasil, a fiscalização alimentar é feita exclusivamente em relação a possibilidade do alimento causar intoxicação, e não há controle do material radiológico.

Mas, segundo o pesquisador, a quantidade que se instala no organismo é cumulativa e permanece durante toda a vida do indivíduo. "Se uma criança for amamentada com leite que contém urânio, este vai acabar fazendo parte da constituição dela, trazendo problemas quando crescer. É como se estivesse montando um edifício de tijolinhos defeituosos", exemplifica. 
Arruda sugere que seja criada uma fiscalização alimentar no Brasil que inclua testes para detectar a presença de material radioativo nos alimentos. 

Mais informações: ( (011) 813-2711.

Fonte: Agência USP de Notícias