Situação na Terra Indígena Raposa do Sol, em Roraima, é preocupante, alerta a CNBB

Roraima, 30 de outubro de 2.004 -  "Voltei preocupado”. “Estou muito triste com o que estão fazendo com este país”. “Se deixarmos essa situação assim, vamos pagar para a toda a eternidade por um crime pesado”. As falas de Dom Jayme Henrique Chemello, que voltou dia 28 de uma visita a Roraima e à terra indígena Raposa/Serra do Sol, demonstram a preocupação do bispo com os entraves para a homologação da terra indígena Raposa/Serra do Sol e a ameaça que isto significa para a sobrevivência dos povos indígenas da região. “É uma questão humana”, afirma.

Dom Jayme se mostrou preocupado com a aproximação do prazo para o cumprimento das decisões liminares que determinam a retirada dos índios das terras que ocupam, reconhecendo aos arrozeiros a posse das fazendas. Em alguns casos, o prazo para a retirada de indígenas das terras reivindicadas pelos fazendeiros é amanhã, dia 29.

O bispo conversou com o Juiz Federal Helder Girão, que tem acatado os pedidos de reintegração de posse dos fazendeiros, e questionou essas decisões que afetam as malocas (comunidades) indígenas: “Quem avançou ali foram os fazendeiros”, afirma Dom Jayme.

Durante a visita, Dom Jayme esteve em Boa Vista, capital do estado. O bispo conta ter ficado impressionado com o sentimento antiindígena que viu difundido na cidade. “Vêem os índios como a causa da miséria do Estado”. 

Dom Jayme Chemello é bispo de Pelotas e presidente da Comissão Episcopal Especial para a Amazônia, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Ele esteve em Roraima acompanhado do Arcebispo de Manaus, Dom Luiz Soares Vieira. A viagem teve o objetivo de olhar de perto a situação dos povos indígenas da região e gerou encontros também com a Superintendência local da Polícia Federal e com o governador de Roraima.

Fonte: CIMI