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Raposa Serra do Sol: quem quer destruir a floresta?

Brasília, abril de 2.008 - A remoção dos últimos arrozeiros do território demarcado da Reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima, mostra claramente os conflitos de interesses econômicos por trás da destruição da floresta amazônica.

A observação da mídia nas ultimas semanas mostra que há apoio no Sul do país, dúvida no Norte em geral e oposição nos municípios afetados pela existência de extensas áreas preservadas por lei federal.

Fica claro que os grandes interessados são as mineradoras, pois atrás de cada artigo pretensamente jornalístico da região, alimentado pelos interesses econômicos locais, sempre aparece ao final a observação de que o subsolo do das áreas das reservas e unidades de conservação são ricas em minerais valiosos na bolsa de Chicago.

Ou seja, a destruição tem apoio de parte da população, diretamente interessada, e de meios de comunicação (indústria de entretenimento e publicidade) que ganham seus trocados divulgando a versão anti-ambientalista, dos madeireiros, das mineradoras acima de tudo.

Os argumentos são também de ordem geopolítica, lembrando que os militares sempre foram contra e que o Brasil é o único que cria reservas em áreas de fronteira - referência aos ianomamis transnacionais em seu nomadismo.

Bravateiam que é o inicio da criação de uma nação na fronteira norte brasileira - um absurdo, sob o contexto positivista, reacionário, que não vê a unidade na diversidade e nem reconhece a existência de diversos povos dentro das sociedades nacionais estabelecidas politicamente pelos acordos de classe.

O governo Lula está certo em apoiar os funcionários do Incra, Ibama e Funai que mantêm o processo constitucional de implantar a terra indígena Raposa Serra do Sol de forma contínua, como manda a legislação.

Os argumentos de que vão formar nação são desprezíveis em si, neste mundo de império global e conflitos de revitalização de culturas locais em toda parte.

Os minérios, que há é sabido, mas não tem lógica econômica uma sociedade abrir todas suas reservas em uma ou duas gerações e deixar o futuro sem estes repositórios estratégicos naturalmente guardados.

Com a grande vantagem de ninguém melhor para proteger o solo e o subsolo, a cobertura vegetal, a fauna e as águas do que os habitantes tradicionais da região. No caso, os ameríndios de diversas etnias. Funciona se o poder nacional se fizer atuante para não permitir a presença de contrabandistas, grileiros, garimpeiros ilegais e pistoleiros organizados para tentar explorar madeira, ouro e diamante nas reservas e suas imediações.

Melhor do que a noticia de que o governo do PT está cumprindo a obrigação no caso da Raposa Serra do Sol, graças ao Ministério do Meio Ambiente, é a evidência para a sociedade brasileira da natureza econômica do conflito entre preservar e destruir o bioma amazônico.

Fonte: www.viaecologica.com.br - comentário de João Arnolfo