Sociedade
precisa respeitar auto-determinação dos povos indígenas, diz
relator da ONU
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Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

Brasília -
O relator especial das Nações Unidas para os
Direitos Humanos e as Liberdades Fundamentais dos
Povos Indígenas, James Anaya, fala à imprensa sobre
sua missão no Brasil |
Brasília - Ainda há muito o que se
fazer para a garantia plena dos direitos dos povos indígenas.
Essa foi uma das principais conclusões do relator especial das
Nações Unidas para os Direitos Humanos e as Liberdades
Fundamentais dos Povos Indígenas, James Anaya, depois de 12 dias
de visita ao Brasil.
Apesar de reconhecer “o comprometimento expresso do governo” e
os avanços no cumprimento dos preceitos constitucionais, o
relator destacou que são necessárias reformas para garantir,
especialmente, o direito à auto-determinação dos povos
indígenas, que seria a possibilidade de exercer de fato o
controle sobre suas vidas.
“É evidente que freqüentemente os povos indígenas não têm
controle sobre as decisões que afetam suas vidas e suas terras,
mesmo quando essas já foram oficialmente demarcadas e
registradas, por causa de invasões, mineração e outros fatores”,
destacou Anaya.
O relator se mostrou preocupado não só com o caráter
paternalista de alguns programas de atendimento e prestação de
serviços, “como se o fato de serem indígenas fizesse com que
eles não pudessem cuidar dos seus interesses”, mas também com a
precariedade de serviços essenciais, como saúde e educação.
“A falta de educação formal e de serviços de saúde adequados
restringe as oportunidades disponíveis aos indivíduos quando
procuram melhorar as condições de suas vidas e priva as
comunidades indígenas das habilidades necessárias para gerenciar
seus próprios interesses e controlar os programas governamentais
e de ONGs que os afetam”, destacou.
Anaya alertou ainda para a necessidade de se harmonizar
programas desenvolvimentistas, como o Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC), sobre o qual ele ouviu queixas de que estaria
indo contra os interesses das comunidades que afeta, as
particularidades dos indígenas. Ele ressaltou que é preciso
sempre checar se programas como o Bolsa Família também
beneficiam os índios, bem como haver mais diálogo com essas
comunidades.
O relator especial disse também que percebeu posições contrárias
aos indígenas vindas de camadas importantes da sociedade. “Uma
campanha nacional de educação sobre as questões indígenas e o
respeito pela diversidade, guiada pelo governo federal em
parceria com os povos e organizações indígenas e com o apoio da
imprensa, provavelmente ajudaria a estabelecer pontes de
compreensão mútua”, defendeu.
Fonte: Ana Luiza Zenker, Repórter da Agência Brasil

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