Governo quer criar
regras claras para quem investir em produção florestal sustentável
Brasília
- 14/02/04 - Até o fim de março, o governo enviará ao Congresso um projeto de
lei sobre Gestão de Florestas Públicas. A idéia é acabar com o processo de
ocupação ilegal das florestas brasileiras e com o uso inadequado. De acordo
com o diretor do Programa Nacional de Florestas do Ministério do Meio Ambiente,
Tasso Azevedo, o governo quer criar regras claras, que gerem segurança para
quem quer investir em produção florestal sustentável.
Em entrevista ao NBr Notícia, da TV Nacional, Azevedo explicou que o projeto de
lei definirá as diretrizes para os contratos de concessão das florestas e as
regras para a concessão. De acordo com ele, hoje, uma pessoa ocupa, pede a
posse da terra, recebe o título e, muitas vezes, não utiliza a área de forma
correta, o que caracteriza uma “privatização da terra”. Com a lei, o
governo pretende mudar essa situação. “Agora, quem for explorar a área terá
de pagar por ela e seguir critérios para que o uso seja sustentável”, disse
Azevedo. Um dos grandes problemas na Amazônia é a questão fundiária. Vinte e
quatro por cento das terras da Amazônia são privadas; 29% são áreas
protegidas que englobam unidades de conservação e terras indígenas. E os
outros 47% são áreas públicas, devolutas ou em disputa, onde ocorrem
desmatamento, ocupação ilegal e grilagem.
O projeto de lei definirá como gerir as florestas públicas para a produção.
Isso pode se dar através da transformação em Unidade de Conservação de uso
sustentável, como as reservas extrativistas. As florestas públicas também
podem ter uma destinação social como é o caso dos assentamentos florestais
para reforma agrária e a concessão de uso para o setor privado.
Os critérios para esse tipo de concessão serão especificados no projeto de
lei. De acordo com Azevedo, o governo definirá as áreas destinadas à proteção,
as áreas para destinação social e o restante será então objeto das concessões.
Para a concessão da terra serão adotadas algumas regras como a garantia de
conservação das florestas, de geração de riqueza distribuída de forma
democrática, a garantia de realização de um processo eficiente e monitorado,
além da inserção da floresta no processo de desenvolvimento regional. A
concessão será permitida para a produção de madeira, de produtos não
madeireiros como frutas, óleos, resinas e essências; e para atividades de
serviço, como o turismo.
O projeto também definirá a forma de elaboração do edital para a concessão.
Se ele for aprovado de acordo com o texto atual, o melhor preço pela utilização
da área não será critério para vencer a licitação. De acordo com Azevedo,
será considerado o projeto que cause menor impacto ambiental, aquele que tenha
uma proposta tecnicamente adequada e que garanta benefício sócio-econômico.
Além desses critérios, os editais passarão por consulta pública e a área a
ser concedida deverá ser aprovada previamente pelo Ibama. O PL prevê ainda que
o tempo para a concessão da terra nunca seja menor do que cinco anos ou um
ciclo de produção e não ultrapasse 60 anos.
A Amazônia é responsável por 90% da produção madeireira do Brasil. Existem
em todo o território nacional 64 florestas nacionais, além de diversas
reservas extrativistas e florestas estaduais que têm cobertura florestal nativa
ou plantada. Em Minas Gerais, são 500 mil hectares de floresta pública
plantada, e na Amazônia são 350 milhões de hectares de floresta pública
plantada. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, 4% do Produto Interno
Bruto (PIB) são produzidos pela cadeia produtiva florestal, sendo que o setor
é responsável por 8% das exportações brasileiras.
O diretor do Programa Nacional de Florestas explicou que o projeto de lei é uma
das medidas para conter o desmatamento das florestas e promover o
desenvolvimento destas áreas. Em março, o governo anunciará um pacote de
medidas que vêm sendo discutidas pela Comissão Interministerial de Combate ao
Desmatamento. Entre as medidas estão as relacionadas ao ordenamento fundiário,
como a criação do Cadastro Rural Único.
Fonte: Agência Brasil