O lixo é um
saco

Rio de Janeiro, agosto de 2.009 -
O Ministério do Meio Ambiente, através da Secretaria de Articulação
Institucional e Cidadania Ambiental, lançou uma campanha de conscientização
cidadã sobre o grave problema ambiental gerado pelos sacos plásticos utilizados
nos supermercados.
Distribuídas gratuitamente, as sacolas foram utilizadas
inicialmente para transportar os insumos para alimentação e posteriormente, na
sua grande maioria para acondicionar lixo. Isto significa que seu destino final
são os aterros sanitários ou “lixões” onde levam até 500 anos para sua
degradação.
Mas, as “sacolinhas” são uma forma de poluição que vai além dos
lixões e dos aterros sanitários, responsáveis em grande parte por verdadeiras
tragédias urbanas, como inundações e destruição de complexos ecossistemas, como
os litorâneos, principalmente manguezais.
Elas foram encontradas até nos Pólos.
Confundidas com alimento, as aves e animais da fauna marinha, principalmente os
cetáceos e tartarugas, são as grandes vítimas. Mais de um milhão de aves e mais
de 100 mil mamíferos marinhos e tartarugas morrem a cada ano por essa causa.
Em
1996, o empresário francês da área de supermercados, Michel-Édouard Leclerc,
lançou a primeira campanha para suprimir o uso de sacos plásticos como embalagem
de produtos. Após convencer o poder público, a França adotou a campanha e logo
constatou que a taxa cobrada pelas sacolas tinha provocado uma diminuição de
mais de um bilhão de sacolas num lustro e poupou o uso de 35 mil toneladas de
plástico para este fim.
Os desdobramentos benéficos, além de evitar Gases de
Efeito Estufa também foram muito significativos no campo da saúde humana. Da
França, a ideia espalhou-se pela Europa e os EUA. São Francisco foi a primeira
cidade, no mundo, a proibir o uso de sacolas, em novembro de 2007 e, logo a
seguir, outras cidades promulgaram diversas leis mediante as quais a data máxima
para retirar as sacolas plásticas de circulação é o ano 2015.
Paradoxalmente, o
primeiro país a proibir as bolsas de plástico foi Bangladesh, em 2002, depois de
constatar que os sacos foram um dos fatores que provocaram as devastadoras
inundações de 1988 e 1998. Alguns países como Uganda, Quênia, Tanzânia, Ruanda,
África do Sul; e da Ásia, Bangladesh, China, Índia e Taiwan decidiram cobrar uma
taxa pelas sacolas, com uma significativa redução na sua utilização, em alguns
casos em até 90%.
No mundo todo, são mais de 500 bilhões de sacolas lançadas ao
lixo anualmente e menos do 1% delas são recicladas. A China já poupou 37 milhões
de barris de petróleo graças à sua proibição.
O Brasil consome anualmente 12
bilhões de sacolas plásticas e cada brasileiro utiliza aproximadamente 66 sacos
por mês. Esses dados da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) e outros
do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) mostram que o estrago
das sacolas plásticas já está chegando até locais distantes, considerados
verdadeiros paraísos ecológicos e turísticos.
Achim Steiner, Diretor-Geral do
PNUMA recentemente, ao celebrar oficialmente o primeiro Dia Mundial dos Oceanos
apelou aos governos do mundo a proibirem a fabricação e o uso das mencionadas
sacolinhas.
Há um clamor internacional para acabar com elas. O Brasil, ao adotar
a campanha “Saco é um saco”, se alinha com as melhores iniciativas ambientais do
mundo.
Gaia Viverá!
Lúcia Chayb e René Capriles
Fonte: Eco21 -
www.ecol21.com.br