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Sacolas plásticas: projeto do IPT compara degradação de quatro diferentes materiais aplicados em embalagens de supermercados Pesquisa quer conhecer melhor o processo de degradação das sacolas
São Paulo, janeiro de 2.012 - Um teste comparativo que começou a ser realizado em outubro de 2011 pelo Laboratório de Embalagem e Acondicionamento (LEA), do Centro de Integridade de Estruturas e Equipamentos (Cinteq), do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), vai permitir a comparação, em igualdade de condições pelo prazo de um ano, do processo de degradação de quatro tipos de sacolas de supermercados. Unidades de sacolas enfrentam as intempéries na cobertura de prédio no campus do IPT: reprodução das condições de abandono nas cidades -FOTO “A sociedade precisa saber o que acontece depois do descarte”, diz a pesquisadora Mara Lúcia Siqueira Dantas ao explicar as motivações do projeto. Com exposição ao tempo, serão comparados os seguintes materiais: polietileno comum (sacola tradicional de plástico), polietileno com aditivo para degradação, papel e TNT (sacola retornável, feita de tecido-não-tecido, com base em polipropileno). O estudo simula a condição de abandono das sacolas no meio urbano, já que essa é a situação que boa parte desse material encontra. O prazo do teste foi definido para que os exemplares possam enfrentar as quatro estações do ano e todo o tipo de intempérie. O IPT fez uma parceria com o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da USP, para receber informações meteorológicas do período de vigência dos testes. Assim, a degradação das sacolas será considerada diante das variáveis reais do clima, como temperatura, umidade relativa do ar, precipitações pluviométricas, insolação e direção e velocidade dos ventos. O teste vai permitir a comparação direta dos materiais: todas as sacolas estarão expostas simultaneamente às mesmas condições, sem vantagem ou desvantagem para nenhum material, o que é uma situação realista, pois não será simulada nenhuma condição específica, reproduzindo o descarte possível. De acordo com a metodologia do projeto, 40 sacolas foram alocadas na cobertura de um dos prédios do campus do IPT, divididas em grupos de dez unidades. Cada um desses grupos é retirado conforme cada etapa é cumprida. Assim, as sacolas são retiradas com um mês, três meses, seis meses e 12 meses. Ao deixarem a exposição, as unidades voltam para o laboratório e passam por ensaios de resistência mecânica, perda de massa e perda de cor. No total são realizados sete testes, e os dados são comparados com os testes das sacolas novas, apurados antes do início da exposição ao tempo. Segundo o pesquisador Rogério Parra, os principais agentes de degradação são os raios ultravioleta (UV), a ação mecânica das chuvas e o ataque químico da poluição. “As sacolas perdem massa, bem como a cor e suas qualidades mecânicas”, afirma o pesquisador, explicando que a tendência é que o material venha a se esfarelar com a ação do tempo. A pesquisadora Mara afirma que esse trabalho poderá ser um passo para uma pesquisa mais profunda, com base em Análise de Ciclo de Vida (ACV) focada em condições brasileiras, já que os dados disponíveis na literatura são experiências realizadas com embalagens na Europa. As análises de ACV representam um campo relativamente novo do conhecimento tecnológico e uma competência que está em desenvolvimento no IPT, abrangendo todas as áreas de pesquisa. Seu principal objetivo é fazer inventários das etapas de vida e de descarte de um produto, medindo assim os reais impactos ambientais. Há relativamente pouca informação sobre os impactos de toda a vida de produtos no meio ambiente em condições tipicamente brasileiras – interpretações baseadas em dados importados podem levar a conclusões equivocadas. Com os resultados da pesquisa, a discussão sobre esses materiais e seus impactos poderá transcorrer com mais propriedade. Segundo Mara, uma das questões que será respondida é quanto à eficiência, ou não, dos aditivos para tornar o polietileno degradável. “Não há consenso sobre a vantagem da adição dessa substância ao plástico”, afirma. Ela acredita que o trabalho poderá contribuir para a educação da sociedade, com a conscientização do impacto do descarte desses materiais no meio ambiente.
O IPT atua desde 1992 na pesquisa de tecnologias para produção de plásticos biodegradáveis, que envolvem o desenvolvimento de processo de fabricação de polímeros do tipo polihidroxialcanoatos a partir de matérias-primas renováveis, por via biotecnológica. Os polímeros biodegradáveis apresentam-se como uma alternativa ambientalmente correta para a sociedade, uma vez que são produzidos a partir de matérias-primas renováveis e não são de origem petroquímica. Podem ser utilizados na confecção de embalagens e materiais descartáveis e até mesmo para a preparação de micro e nanocápsulas para liberação controlada de fármacos. Atualmente, o Instituto desenvolve outros projetos no tema com a finalidade de viabilizar a produção de diferentes biopolímeros a partir de fontes de carbono alternativas como óleos vegetais, hidrolisado de bagaço de cana e resíduos industriais, entre outros. Para o desenvolvimento destes processos, o IPT dispõe de biorreatores de 0,5 a 100 litros, que podem ser operados de modo descontínuo, descontínuo alimentado ou contínuo e conta com infraestrutura analítica (cromatógrafos de fase gasosa, líquida e iônica, espectrômetros e analisadores de gases) para levantamento de parâmetros de processo e caracterização dos produtos. Principais trabalhos realizados na área de biopolímeros: .- Bioprospecção de novos microrganismos e melhoramento genético; .- Ampliação de escala de biorreatores e produção em alta densidade celular; .- Estudo de processo fermentativo para modificação de propriedades físico-químicas dos polímeros; .- Uso de enzimas e solventes para extração e purificação de biopolímeros; .- Caracterização dos biopolímeros (composição e peso molecular); .- Desenvolvimento de diferentes polímeros para aplicações como matrizes para liberação controlada de princípios ativos com atividade farmacêutica.
Fonte: IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas (SP)
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