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Sai
Mércio, entra Márcio, mas a política indigenista continua a mesma
Brasília, 22 de março de 2.007 -
O novo ministro da Justiça, Tarso Genro, confirmou o nome do novo presidente da
Funai, o historiador Márcio Meira.
Pouco adianta mudar o presidente da Fundação Nacional do Índio, se o governo
federal não indica mudanças na sua política indigenista. A Comissão Nacional de
Política Indigenista, criada por decreto presidencial em março de 2006, até hoje
não foi instalada.
O Estatuto dos Povos Indígenas aguarda, há 12 anos, aprovação
pelo Congresso Nacional e o governo federal, em vez de tentar colocá-lo em
votação, tem elaborado propostas de projetos de lei para atender interesses de
empresas mineradoras, excluindo a regulação da mineração em terras indígenas do
restante do Estatuto.
Além disso, a demarcação das terras indígenas está muito aquém do prometido por
Lula em sua campanha de 2002. A não demarcação das terras faz aumentar o número
de assassinatos contra indígenas e piora a situação de vida dos povos, como
mostra o número de mortes por desnutrição ocorridos nos dois primeiros meses
deste ano.
Considerando-se a experiência indigenista do novo presidente, espera-se que este
adote uma forma de relacionamento com os povos indígenas e seus aliados
totalmente diferente de seu antecessor, que nunca se dispôs a dialogar. Porém
apenas a boa vontade do presidente do órgão indigenista não será suficiente para
solucionar os graves problemas fundiários dos territórios indígenas, quando o
governo Lula a cada dia submete ainda mais a demarcação das terras aos
interesses do agronegócio e de seu Programa de Aceleração do Crescimento.
Fonte:
Cimi - Conselho Indigenista Missionário

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