STF suspende liminares e libera
obras do projeto de integração do Rio São Francisco
Brasília, 19 de dezembro de 2.006
- O efeito das liminares concedidas por juízes de primeira instância e que
impediam o início das obras do Projeto de Integração da Bacia do Rio São
Francisco às Bacias do Nordeste Setentrional foi suspenso hoje (19) pelo Supremo
Tribunal Federal (STF).
A decisão do ministro Sepúlveda Pertence permitirá a retomada do projeto, que
possibilitará a captação de 2,3% da vazão anual do rio para abastecer as bacias
hidrográficas do Nordeste e a geração de energia pelas usinas de Paulo Afonso,
Xingó e Itaparica.
Segundo o Ministério da Integração Nacional, o projeto está orçado em R$ 4,5
bilhões e já tem garantidos R$ 101 milhões no Orçamento Geral da União para
2007.
Para o ministro, os juízes que
haviam concedido as liminares não poderiam ter decidido sobre o assunto, uma vez
que o Rio São Francisco corta vários estados e por isso caberia ao STF o
julgamento, unificando o foro e evitando "decisões dissonantes sobre um mesmo
tema".
Sepúlveda Pertence rejeitou dez pedidos de liminares feitos pelo Ministério
Público, pela Ordem dos Advogados do Brasil e por entidades de defesa do meio
ambiente, que alegaram não ser completo o estudo de impacto causado pelo
projeto.
Com a derrubada das liminares, as
discussões sobre o projeto serão retomadas e, segundo o ministro da Integração
Nacional, Pedro Brito, a única pendência que resta é a liberação da licença de
instalação concedida pelo Instituto de Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
“Do ponto de vista prático e objetivo, tão logo o Ibama libere a licença, nós
podemos começar a obra. Esperamos que a licença seja concedida até o início de
janeiro, e assim podemos começar a primeira parte das obras, com o auxílio do
Exército”, previu Brito.
A assessoria do Ibama informou que está marcada para amanhã (21) uma reunião
para discussões internas sobre a licença de instalação, e que somente depois
desse encontro será possível estabelecer prazos.
Em entrevista à Agência Brasil, o ministro explicou que o Ministério da Defesa
já recebeu os recursos para as obras, cerca de R$ 100 milhões, e que o Exército
ficará responsável pela construção dos canais de aproximação, tanto na região
Leste quanto na Norte, e de duas barragens, que depois receberão os equipamentos
de bombeamento de água.
Essa primeira parte da obra, de acordo com o ministro, deve durar de oito meses
a um ano. A previsão de Pedro Brito é de que em 2007 sejam avaliados os
processos licitatórios, enquanto ocorre a obra nos 14 lotes existentes.
Quanto ao orçamento, ele enfatizou que serão gastos R$ 4,5 bilhões, parcelados
em quatro anos: “A quantia destinada para 2007 seria de R$ 750 milhões. Para
2008, prevemos R$ 1 bilhão. Já para 2009 e 2010, a estimativa das necessidades
de recursos seria de R$ 1,5 bilhão a cada ano. Pretendemos concluir a obra em
quatro anos”.
Na opinião de Brito, as audiências públicas são “uma etapa vencida”, após a
liberação da licença prévia pelo Ibama. O ministro lembrou ainda que na próxima
semana serão lançados os editais dos projetos executivos da obra, mas os de
licitação só estarão disponíveis a partir de janeiro.
