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População tenta reerguer São Luiz do Paraitinga, em SP, devastada pela inundação

São Paulo, janeiro de 2.009 - Após ter sido devastada pela maior inundação que a cidade de São Luiz do Paraitinga já sofreu em toda sua história, provocada pela enchente do Rio Paraitinga, que atravessa a cidade,  a população tenta voltar à rotina, mas o cenário ainda é de muita desolação.

Em alguns pontos já foi restabelecido o sistema de telefonia, o fornecimento de energia elétrica e o abastecimento de água, segundo informou à Agência Brasil, o tenente Marlon Robert Niglia, diretor do Núcleo de Gerenciamento de Emergência da Coordenadoria da Defesa Civil do Estado de São Paulo.

Cálculos preliminares da prefeitura dão conta de que os prejuízos podem chegar a R$ 100 milhões. Entre bombeiros, policiais militares, técnicos ambientais e profissionais da Defesa Civil 192 pessoas atuavam hoje na força tarefa para devolver a normalidade ao município.

De acordo com o tenente Niglia, ainda existem 2,4 mil pessoas que não podem voltar para casa. A maioria dos desalojados foi abrigada por parentes em cidades vizinhas como Taubaté. Nos abrigos municipais, que não chegaram a ser afetados por estarem situados num ponto alto, há 30 pessoas.

Desde ontem, técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) fazem vistorias nos imóveis atingidos e também nas encostas, de modo a avaliar se ainda há riscos para a população.

O nível da água do Rio Paraitinga subiu mais de dez metros. Ruas, casas, igrejas, prédios públicos e estabelecimentos comerciais foram tomados pelas inundações e força da correnteza arrastou carros , árvores, móveis e outros objetos.

Quando a água baixou, havia veículos jogados sobre paredes e um amontoado de escombros, além de muita lama. Algumas construções, incluindo prédios históricos, ficaram em ruínas ou foram, parcialmente, destruídas.

Em entrevista à TV Brasil, o engenheiro civil, Jairo Barriello, comandante da Defesa Civil do Município, explicou que as enchentes resultaram de dois fenômenos: a cheia do rio Chapéu e a grande vazão da bacia do Paraitinga.

Segundo ele, não sobraram nem ferramentas e equipamentos do setor público municipal para os trabalhos necessários de reconstrução, como pás, enxadas, capacete e outros. A população precisa principalmente de água e muito material de limpeza.

Equipes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura, e do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Artístico e Turístico (Condephaat), iniciaram hoje um estudo sobre os danos aos prédios históricos que somam mais de 90 construções, algumas do século XIX e entre os quais estavam as erguidas com paredes de taipa (barro socado e estruturado em esteiras de bambu ou de madeiras).

A superintendente do Iphan em São Paulo, Ana Beatriz Airosa, informou que, antes dos acontecimentos, estava em processo final o estudo que iria conceder o tombamento de São Luiz do Paraitinga, reconhecendo a cidade como não apenas como detentora de um patrimônio histórico, mas também paisagístico.

De acordo com a superintendente, nem todos os imóveis perdidos poderão ser devolvidos como eram, originalmente. “O que a gente vê por aqui é muita desolação”, disse à reportagem da Agência Brasil por meio de um aparelho celular.

Fonte: Agência Brasil