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Imagens de
satélite mostram o avanço da monocultura da cana em São Paulo e o recuo, lento,
da queima de palha
São Paulo, 04 de abril de 2.008 - Imagens de satélite obtidas por meio do
projeto Canasat, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe), revelam pequena redução da queima de palha de cana-de-açúcar no Estado
de São Paulo e um aumento da área cultivada em 520 mil hectares.
Por meio de técnicas de sensoriamento remoto e geoprocessamento é mapeada a área
cultivada, fornecendo informações sobre a distribuição espacial da cultura de
cana-de-açúcar.
Segundo o Inpe, os dados serviram de base para o Protocolo Agroambiental
assinado recentemente pela Organização de Plantadores de Cana da Região
Centro-Sul do Brasil (Orplana), pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar de São
Paulo (Unica) e pela Secretaria de Meio Ambiente. O documento estabelece prazos
para o fim das queimas nos canaviais em São Paulo e estipula ações de
sustentabilidade ambiental.
Os mapas, elaborados pelos técnicos da Divisão de Sensoriamento Remoto do Inpe,
mostram a redução da área de queima e, ao mesmo tempo, o avanço da mecanização
nos canaviais. “Foram menos 108 mil hectares de área queimada, número 5% menor
em relação à safra de 2007. Já a área cultivada cresceu 520 mil hectares”, disse
Bernardo Rudorff, pesquisador do Inpe.
Foram comparadas as duas últimas safras (2006-2007 e 2007-2008). No total, a
colheita sem o uso do fogo ocorreu em 656 mil hectares, significando aumento de
34% para 46% da área total colhida em São Paulo, que foi de 3,79 milhões de
hectares. O benefício é sobretudo ambiental.
Evitar a queima da cana significa reduzir a emissão de poluentes. Segundo a
Secretaria de Meio Ambiente, a redução da área de queima evitou a emissão de
3.900 toneladas de material particulado, equivalente a 28% da emissão de
partículas geradas pela combustão de óleo diesel por veículos na região da
Grande São Paulo em 2006.
Fundamental para formular políticas públicas na área, as informações espaciais
sobre a cana-de-açúcar são usadas para a previsão e estimativa da área
cultivada. O próximo desafio do Canasat é utilizar as imagens para aferir a
produtividade e mostrar como se dá o avanço da cultura.
“À medida que o projeto evolui, temos cada vez mais dados e podemos agregar
outras classes de informações. Logo poderemos saber se o plantio da cana passou
a ocupar áreas de outras culturas ou atividades econômicas”, disse Daniel Alves
de Aguiar, que desenvolveu o método para a avaliação da área de cana colhida sem
queima em seu curso de mestrado no Inpe.
O projeto Canasat utiliza as imagens de sensoriamento remoto para mapear e
quantificar a área plantada com a cultura da cana-de-açúcar no Estado de São
Paulo visando a fornecer informações sobre a distribuição espacial da cana para
diversos setores que, direta ou indiretamente, estão envolvidos com o
agronegócio do setor.
Além de São Paulo, o satélite monitora Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro,
Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O projeto foi criado em
2003, em parceria entre Inpe, Unica, Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e
Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de
Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).
As informações estão disponíveis na internet por meio de mapas temáticos com a
distribuição espacial da cana e da localização de usinas e destilarias.
Mais informações:
www.dsr.inpe.br/canasat
Fonte:
Agência FAPESP

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