Avanço das florestas plantadas sobre biomas é tema de discussão em Porto Seguro - BA

21 de junho de 2.004 - Organizações não governamentais, parlamentares, prefeitos, empresas, Ibama, pequenos produtores e movimentos sociais estarão debatendo a tendência de expansão das florestas plantadas e sua ameaça sobre os biomas Mata Atlântica e Cerrado, bem como sobre as populações tradicionais.

Haverá representações do Espírito Santo, Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais, de acordo com a ong Rede Deserto Verde, que promove seu II Encontro Nacional nos próximos dias 28 e 29 de junho, em Porto Seguro (BA).

A idéia é produzir um documento de sugestões e propostas ao governo Lula mostrando os impactos socio-ambientais deste ramo de atividade capitalista se não houver planejamento, controle e fiscalização.

Segundo a Rede Mata Atlântica, "são esperados representantes de movimentos campesinos, povos indígenas, comunidades quilombolas, ongs socio-ambientalistas, pesquisadores acadêmicos e independentes, sindicalistas rurais e urbanos, lideranças religiosas e estudantis, pescadores, carvoeiros e pequenos produtores rurais".

Segundo o coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia – Cepedes, integrante do Fórum Socioambiental do Extremo Sul da Bahia, Melquíades Spínola, "a expectativa é de que o governo Lula possa abrir novo horizonte para a discussão e definição de políticas públicas relacionadas às florestas, à água, ao meio ambiente, aos direitos econômicos sociais e culturais, às populações tradicionais, ao latifúndio rural, à agricultura familiar etc."

Melquíades reconhece também o assédio de “mega-setores” monocultores, seja celulósico ou siderúrgico, ao governo. “Pretendem ampliar os plantios industriais de pinus e eucalipto em mais 6 milhões de hectares, nos próximos 10 anos".

No extremo sul da Bahia, o porto da Aracruz e mais duas mega-plantas celulósicas, uma nova da Bahia Sul e outra da Veracel prometem intensificar a abrangência dos impactos.

Em Minas Gerais, a devastação do Cerrado e sua substituição por eucalipto se aprofundam, nas estratégias siderúrgicas de “crédito de carbono”.

No Espírito Santo, o “fomento florestal” interpela o campesinato, índios e quilombolas, ao mesmo tempo em que lideranças da Rede Deserto Verde são ameaçadas.

No Rio de Janeiro, ainda que sob o efeito do desastre de Cataguazes e submetida à lei do zoneamento territorial, a Aracruz persiste como ameaça, avaliou ele.

A resistência e a crítica ao impacto das monoculturas são objetivos da Rede Deserto Verde, que congrega mais 100 entidades. Segundo Melquíades "são avanços desta rede o surgimento de novas lideranças, a resistência quilombola e indígena, o acúmulo de pesquisas e conhecimento, a intervenção em Brasília, e a interlocução com redes como a Rede de Justiça Ambiental, Rede Cerrado, Associação do Semi-árido, Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais, Rede Mata Atlântica e Plataforma DESC brasileira".

“Também de fundamental importância têm sido as conexões internacionais com World Rainforest Movement, Carbon Trade Watch, as Campanhas de Reforma das Agências de Crédito de Exportação e ONGs uruguaias, paraguaias, argentinas, finlandesas, norueguesas, alemãs, inglesas, suecas, holandesas e francesas”, ressaltou.

A programação do sábado (28) prevê debate dos seguintes temas Campesinato e Fomento Florestal, Estratégias para Brasília, Resistência no extremo-sul BA, MDL, Kyoto e “seqüestro de carbono”, Zoneamento Territorial, Conexões Nacionais e Internacionais e Populações tradicionais.

No domingo (29) haverá audiência com representantes do MMA, IBAMA, Min. do Trabalho, INCRA, FUNAI, Ministério Público, deputados estaduais e federais dos estados, vereadores, prefeitos e demais representantes do poder público."

(Veja também www.rma.org.br, www.ongsbrasil.org e www.mma.gov.br).

Fonte: Via Ecológica