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Sede da Agência de
Proteção Ambiental em Washington (USA)
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Suprema Corte americana poderá obrigar o
governo Bush a adotar ações para frear o aquecimento global |
Washington (USA), novembro de
2.006 - Suprema Corte dos EUA pode forçar Bush a adotar ações contra aquecimento
global Pela primeira vez na história a mais alta instância jurídica americana
discute um assunto ligado a mudanças climáticas.
Será o primeiro caso sobre
mudança climática a chegar à Corte, com advogados representando 12 governos
estaduais e 13 grupos ambientalistas, entre eles o Greenpeace, pediram que os
juízes forcem o governo Bush a tomar uma atitude, afirmando que o país corre
sério risco. A omissão é como "acender o pavio de uma bomba", afirmou James
Milkey, procurador-geral-assistente de Massachusetts.
Numa iniciativa histórica, a
Suprema Corte dos Estados Unidos começou a discutir na quarta-feira (29/11) os
efeitos do volume de dióxido de carbono (CO2) lançado na atmosfera por veículos
que circulam no país.
É a primeira vez que o mais importante tribunal americano se depara com um caso
relacionado às mudanças climáticas. Os juízes da Suprema Corte podem forçar o
governo Bush a adotar medidas contra o aquecimento global, com base numa
legislação de 30 anos atrás, a Lei do Ar Puro, aprovada em 1970 pelo então
presidente Richard Nixon.
O processo foi iniciado por 12 estados americanos e diversos grupos
ambientalistas, entre os quais o Greenpeace, que afirmam ser o CO2 um potente
poluente e um dos principais gases que provocam o aquecimento do planeta.
A ação movida pelos governos estaduais e ONGs quer que a Agência de Proteção
Ambiental (EPA, na sigla em inglês) regule as emissões de gases CO2 para
proteger a população americana da exposição a poluentes do ar. O governo Bush
alega que a agência não tem autoridade para decidir se o CO2 é ou não um
poluente, nem regular suas emissões.
Caso a decisão da Suprema Corte seja favorável aos ambientalistas e estados
americanos, os fabricantes de veículos poderão ser forçados a tornar mais
eficiente o uso de combustível para reduzir as emissões. Além disso, a decisão
poderá provocar um efeito cascata e gerar mudanças também nas emissões de
indústrias e termelétricas espalhadas pelos Estados Unidos.
"O dióxido de carbono é o principal gás responsável pelo aquecimento global, o
que ameaça, sim, a saúde e a vida de pessoas em todo o planeta", afirmou Carlos
Rittl, coordenador da Campanha de Clima do Greenpeace no Brasil. "A
regulamentação das emissões de CO2 deverá forçar a indústria automobilística
americana a investir em combustíveis alternativos aos fósseis e incentivar o uso
de fontes de energia limpa, o que será um importante passo para a redução de
emissões de gases de efeito estufa do maior poluidor do planeta", acrescentou.
"No Brasil, o setor de transportes é a segundo maior fonte de emissões de gases
de efeito estufa e a principal fonte em grandes centros urbanos, como São Paulo.
Deveríamos ter também uma regulamentação mais rigorosa das emissões de poluentes
incluindo o gás carbônico, o que seria benéfico para a saúde de nossa população
e para o clima do planeta", explicou Rittl.
Os Estados Unidos, que têm 5% da população mundial, detêm 37% da frota de
veículos do planeta e são responsáveis por 25% das emissões dos gases que
intensificam o efeito estufa. Ainda assim o governo Bush se recusa a aceitar
limites para tais emissões. O governo americano alega que esses limites
prejudicariam a economia do país, afetando empresas e cortando empregos. Para
ele, a solução está no desenvolvimento de novas tecnologias. Apesar da
resistência de Bush, algumas iniciativas locais mostram que o assunto preocupa
muito e gera ações em busca de soluções.
Em setembro, por exemplo, o estado da Califórnia abriu um processo judicial
contra seis grandes montadoras de veículos - Toyota, Chrysler, Ford, General
Motors, Honda e Nissan - alegando que os gases emitidos pelos carros dessas
empresas causaram bilhões de dólares em prejuízos. Foi o primeiro processo que
tentou responsabilizar as indústrias por danos provocados pela poluição de
veículos. A Assembléia Legislativa da Califórnia aprovara, um mês antes, uma lei
exigindo redução nas emissões de gases poluentes, tidos como responsáveis pelo
aquecimento global, em 25% até 2020 e 80% até 2050.
O processo exige indenizações pela influência passada e futura dos carros no
aquecimento global, e pede às empresas que sejam responsabilizadas por futuros
prejuízos monetários à Califórnia. A ação lembra que o Estado está gastando
milhões de dólares para lidar com degelos, erosão de praias, poluição por ozônio
e ameaças a peixes e outros animais.
