
Tecnologia para geração de hidrogênio a partir da água e da luz solar é
apresentada em SP
Stenbjörn Styring
(foto: Eduardo Cesar), da Universidade de Uppsala, da Suécia, apresenta
a nova tecnologia |
São Paulo,
março de 2.009 - Desenvolver novas rotas de produção de combustíveis renováveis
como o hidrogênio, tendo como matérias-primas apenas a água e a luz solar, é a
meta que tem sido perseguida nos últimos anos pelo professor Stenbjörn Styring e
sua equipe na Universidade de Uppsala, na Suécia.
Em apresentação durante o Workshop BIOEN/PPP Ethanol on Sugarcane
Photosynthesis, nesta quarta-feira (18/2), na sede da FAPESP, na capital
paulista, Styring mostrou parte de seus estudos sobre o que chamou de “química
do manganês e do rutênio” para a geração de energia por meio da transferência de
elétrons da molécula de água.
Os trabalhos, realizados por meio do Consórcio Sueco para a Fotossíntese
Artificial (Swedish Consortium for Artificial Photosynthesis, na sigla em
inglês), que reúne dezenas de grupos de pesquisa e mais de 200 cientistas,
demonstraram ser possível obter energia por meio de fotossíntese artificial e há
pelo menos quatro relatos na literatura científica que descrevem essas
tecnologias.
“A fotossíntese que estudamos não utiliza organismos vivos, mas apenas água, luz
do sol e um catalisador”, disse Styring no evento realizado no âmbito do
Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN). “Esses novos conceitos
químicos são completamente diferentes e visionários, uma vez que conseguimos
provar ser possível que, a partir da energia do sol, a água produza combustíveis
como o hidrogênio.”
Durante a palestra From natural to artificial photosynthesis: hydrogen from
solar energy and water, Styring apresentou diferentes compostos e sistemas
químicos que utilizam elementos como ferro, cálcio, manganês e rutênio para a
geração de hidrogênio por meio de fotossíntese artificial.
Segundo ele, a fotossíntese artificial não é uma mera imitação da natural. “O
objetivo é utilizar os mesmos princípios-chave e não apenas copiar as enzimas
naturais para a geração de hidrogênio a partir da luz do sol. Utilizamos apenas
as mesmas idéias da natureza”, explicou.
“Esses princípios-chave, que são muito difíceis de serem replicados, se resumem
em retirar os elétrons da água após a absorção da luz solar. Em vez da
clorofila, utilizamos, por exemplo, complexos de rutênio. Ligamos as moléculas
de rutênio, que absorvem a luz, com os sistemas de manganês que conseguem tirar
os elétrons da água”, disse.
Para ele, a produção de hidrogênio em grande escala pela fotossíntese artificial
ainda está distante de ocorrer, apesar de esse tipo de tecnologia ter grande
potencial no âmbito dos sistemas energéticos futuros.
“Especialistas em todo o mundo estudam diversos métodos, diretos e indiretos,
para obter combustíveis renováveis a partir da luz solar. O programa do etanol
brasileiro também é desenvolvido com base em um desses métodos”, explicou.
“Mas, atualmente, um dos nossos maiores desafios não é transferir um elétron da
água por vez, porque sabemos como fazer isso, e sim fazer com que os elétrons
retirados da água possam servir como uma matéria-prima infinita para a geração
de combustíveis renováveis”, disse.
Fonte: Agência FAPESP
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