Número de
trabalhadores libertados de situação análoga à escravidão já supera o total do
ano passado
Trabalho escravo é mais encontrado em áreas de
desmatamento ilegal para expansão agrícola, capim e criação de gado e alimento
de fornos de carvão de siderúrgicas
Brasília,
21 de novembro de 2.005 - Até outubro, o número de pessoas libertadas da
situação de trabalho análoga à escravidão já supera o total do ano passado.
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego apontam que em 2004 foram libertadas
2.887 pessoas e neste ano, já são mais de 3.360.
Segundo o coordenador nacional do Grupo Especial de Fiscalização Móvel do
ministério, Marcelo Gonçalves Campos, os números aumentaram devido à maior
atuação dos fiscais. "De 1999 a 2002, as operações fiscais somavam em média 30
por ano. Em 2003, fizemos 66 ações e em 2004, 72. Até o fim deste ano, esperamos
chegar a 80. Com maior presença do Estado nas regiões endêmicas de trabalho
escravo, é natural que consigamos libertar um maior número de pessoas", disse.
Desde 2003, foram mais de 11 mil trabalhadores libertados.
Marcelo Campos lembrou que o Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo
prevê a criação da lista dos chamados "maus empregadores", lançada em 2003 pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Agora, todos os empregadores acusados de
explorar o trabalho escravo e que não possuam mais possibilidade de defesa no
processo administrativo, terão seu nome em um cadastro. Hoje já existem cerca de
180 infratores cadastrados e nenhum deles recebe qualquer financiamento público
durante dois anos", informou.
O Plano, segundo o coordenador, também prevê "ações mais eficazes dos
ministérios públicos na propositura das ações penais e ações civis públicas de
indenizações por danos morais contra os fazendeiros acusados. E no sentido de um
julgamento mais eficaz: poucos julgamentos são realizados e as penas são leves,
como o pagamento de cestas básicas". No Congresso Nacional, Marcelo Campos citou
iniciativas como a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional "que determina
a desapropriação de terras onde forem encontrados trabalhadores submetidos a
escravidão".
Os estados que apresentam o maior número de trabalhadores em regime de
escravidão são Pará, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso e Bahia. Isto se deve,
segundo o coordenador, ao tipo de atividade desenvolvida: "Ocorre mais onde há
uma expansão da fronteira agrícola sobre a floresta nativa, ou seja, uma
derrubada ilegal para plantar capim e criar gado no local, ou para fazer carvão
e alimentar os fornos das siderúrgicas, ou ainda para plantar soja, algodão".
Fonte: Michèlle Canes - Repórter da Agência Brasil
