Ministério Público Federal do Piauí denuncia
dono de carvoaria que explorava trabalho escravo no município de Jerumenha
Trabalhadores faziam jornada de dez horas diárias,
incluindo domingos e feriados

Piauí, 22 de março de 2.007 -
O procurador da República no Piauí Tranvanvan Feitosa denunciou Marcos Antônio
de Oliveira, por exploração de trabalho escravo em carvoaria sua localizada na
zona rural do município de Jerumenha (PI).
A denúncia tem base em
representação da Delegacia Regional do Trabalho no Piauí, através do Grupo
Especial de Fiscalização Rural, que constatou a contratação irregular de 34
trabalhadores no serviço de produção de carvão vegetal para alimentar
siderúrgica estabelecida no Maranhão.
Segundo o relatório da fiscalização, as condições de trabalho na carvoaria eram
degradantes, com jornada em média de dez horas diárias, incluindo domingos e
feriados. Os trabalhadores tiveram suas carteiras de trabalho retidas e não
assinadas e os salários estavam atrasados. Além disso, a alimentação fornecida
era precária, consistente unicamente em arroz e feijão, sem condições higiênicas
mínimas para preparo e realização das refeições. Os trabalhadores foram
recrutados pelo próprio empresário denunciado, no município de São Mateus (MA),
a 600 km do local de trabalho.
Como o denunciado não foi encontrado, o pagamento das verbas rescisórias dos
trabalhadores foi feito pela siderúrgica Cosima, do município de Pindaré-Mirim
(MA), compradora da matéria prima da carvoaria. A Cosima havia firmado termo de
ajuste de conduta (TAC) com a Procuradoria Regional do Trabalho da da 16ª
Região, assumindo responsabilidades dos fornecedores de carvão vegetal quanto à
fiscalização do cumprimento das obrigações trabalhistas. Para o MPF, não há
responsabilidade penal por parte da siderúrgica, e sim descumprimento do TAC,
sujeitando-se à aplicação das multas e demais penalidades estipuladas no no
ajuste de conduta.
O proprietário da carvoaria, Marcos Antônio de Oliveira, foi denunciado pela
prática dos crimes de redução à condição análoga à de escravo, frustração de
direitos trabalhistas, de impedir os trabalhadores de se desligarem do serviço e
assegurar condições de seu retorno ao seu local de origem.
Paulo Gutemberg
Assessoria de Comunicação
Procuradoria da República no Piauí
(86) 2107-5915