Obras da
Votorantim utilizavam 98 trabalhadores em condição escrava
O MPT resgatou os trabalhadores em condição semelhante à de
escravidão nas obras da Usina Salto do Rio Verdinho, no interior de GO. A obra
faz parte do PAC
Brasília, 08 de setembro de 2.009 - O Ministério Público do Trabalho, através de
seus fiscais, resgatou 98 trabalhadores em condição semelhante à de escravidão
nas obras da Usina Salto do Rio Verdinho, no interior de Goiás. Sob a
responsabilidade da Votorantim Energia, a construção faz parte do Plano de
Aceleração do Crescimento (PAC), que tem financiamento de R$ 250 milhões do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Os trabalhadores foram privados de camas e banheiros e não recebiam salários – o
trabalho era trocado por comida. Eles trabalhavam para uma empresa terceirizada,
a Construtora Lima e Cerávolo, responsável pelo desmate da área da usina. O
coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), José Neto, falou sobre a
responsabilidade da Votorantim no caso.
“A Votorantim contratou a empresa, então deve ter todas as informações
referentes a esta empresa. Se a empresa fere as leis trabalhistas e a dignidade
humana, a Votorantim tem que estar ciente disto e fiscalizar, senão a Votorantim
se omite e vira cúmplice deste fato.”
Para José Neto, o caso serve para desmistificar a idéia de que o uso de trabalho
escravo não acontece em construções.
“Tem que se descaracterizar que só a cana e plantações de monocultura têm
trabalho escravo. Ele existe em outras situações, sempre ligado a grandes
produtores ou grandes empresas, como neste caso da Votorantim.”
Após a denúncia, a Votorantim pagou as dívidas que possuía com os trabalhadores,
que somou um total de R$ 420 mil. Os trabalhadores também foram transportados
para as suas cidades de origem. O contrato com a empresa Construtora Lima e
Cerávolo foi cancelado.
Fonte: Ana Maria Amorim, da Radioagência
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