
Internet é ameaça a espécies raras, alertam cientistas
São
Paulo, abril de 2.010 - A internet está se tornando uma das maiores ameaças às
espécies de animais em perigo, alertaram cientistas no encontro da Convenção
Internacional de Comércio de Espécies em Perigo (Cites), da ONU, em Doha, no
Catar.
Segundo ativistas, graças à internet nunca foi tão fácil comercializar qualquer
coisa - desde filhotes de leão a peles de urso polar - em sites de leilões e
salas de conversa na internet.
Várias propostas para restringir o comércio de espécies em perigo foram
derrotadas durante o encontro da Cites, que reúne 175 países.
Ainda nesta semana, os representantes dos países vão votar mudanças no comércio
do marfim.
Efeito da rede
Segundo a enviada especial da BBC ao encontro de Doha, Stephanie Hancock,
cientistas afirmam que a internet está tornando o comércio internacional ilegal
de espécies protegidas mais fácil do que nunca.
Milhares de espécies em perigo são comercializadas regularmente pela internet,
com compradores e vendedores tirando vantagem do anonimato da rede e do grande
mercado global que ela oferece.
“A internet está se tornando o fator dominante no comércio global das espécies
em perigo”, disse Paul Todd, do Fundo Internacional para o Bem-estar Animal,
segundo a agência de notícias Associated Press.
Ativistas e responsáveis por monitorar o comércio ilegal afirmam que é quase
impossível estimar o tamanho do problema, mas afirmam que tudo - desde bebês de
leões até vinho feito com ossos de tigres - já foram comercializados online.
Eles afirmam que os Estados Unidos são o maior mercado, mas que Europa, China,
Rússia e Austrália também desempenham importante papel.
Os cientistas que tentam obter maior proteção para as espécies em perigo já
sofreram algumas decepções em Doha, afirma Hancock.
No domingo, delegados votaram por proibir totalmente o comércio internacional de
um raro tipo de salamandra pintada, encontrada apenas no Irã, que segundo o WWF,
Fundo Mundial para a Vida Selvagem, foi devastada pelo comércio na internet.
Mas outras tentativas de proibir o comércio de ursos polares, atum-rabilho e
raros corais fracassaram no encontro em Doha.
Uma proposta dos Estados Unidos e da Suécia para regular o comércio dos corais
rosa e vermelho – usados na fabricação de caras joias e amplamente vendidos na
internet – foi derrotada.
Os delegados derrubaram a proposta alegando preocupação com os efeitos dos
restritivos regulamentos sobre comunidades pesqueiras pobres.
Fonte: BBC
Brasil