Cartilha: noções básicas

Roteiro de leitura:

Apresentação - José Chacon de Assis

A engenharia genética e os transgênicos

O registro das patentes transgências

As transferências de características e suas conseqüências

Os riscos para a natureza

O medo dos transgênicos

Elas levam a vida no cabelo

O perigo dos transgênicos

Rio de Janeiro, ano de 2.000 - Apesar de previsíveis, o impacto sobre o meio ambiente e os efeitos para a saúde humana provocados pelo uso de produtos transgênicos ainda necessitam de aprofundamento científico. Diante dos riscos iminentes, portanto, o Japão e diversos países na Europa já estão mudando de atitude com relação à tolerância irrestrita dessas plantas e produtos.

Estranhamente o Brasil continua imune a essa reação em cadeia. Provável refém de interesses escusos, desregulamentou o uso da soja transgênica, em setembro deste ano, dando uma demonstração de irresponsabilidade sem precedentes. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que analisou o pedido de liberação, concluiu que não há evidências de risco ao ambiente, à saúde humana ou animal. No entanto, alguns especialistas afirmam que as informações constantes do pedido de desregulamentação são inconsistentes e contraditórias, reforçando ainda mais a possibilidade de que tenha ocorrido um "erro" de avaliação.

Acreditamos que a situação exige intensa mobilização da sociedade, através das entidades de defesa do consumidor e do ambiente, a fim de que sejam criadas formas de controle que assegurem a proteção à natureza (solo, água, alimentos) e preservação da biodiversidade. O combate à cultura transgênica e o estímulo à agricultura ecológica significam maior garantia da qualidade nutricional dos alimentos e não aceitação da condição de submissão às gigantes transnacionais, que atuam em nome do lucro fácil e em detrimento da saúde da humanidade e preservação das espécies).

José Chacon de Assis
Presidente do CREA/RJ

A ENGENHARIA GENÉTICA E OS TRANSGÊNICOS

Para que se possa entender o que é engenharia genética é necessário que se vá até a época das cavernas, quando o homem começou a domesticar as plantas, colhendo e plantando as maiores e melhores.

As evoluções do homem e da agricultura seguiram juntas, embora não se conhecessem os métodos de como ocorriam "os cruzamentos". Foi o sacerdote João Gregório Mendel quem fez os primeiros estudos sobre cruzamentos.

Ele tomou uma espécie de ervilha de flor vermelha e casca da semente lisa e usou como pai. A espécie de ervilha de flor branca e casca rugosa, usou como mãe.

A colheita das sementes e o plantio destas deu como resultado ervilhas de flor vermelha e casca lisa e também ervilhas de flor branca com casca rugosa. Ou seja, as características do pai saíam junto com as características da mãe.

Muitas vezes, as características dos pais desaparecem nos filhos e surgem nos netos e bisnetos. Isto acontece com todos os seres vivos que se acasalam.

Os agricultores, muitas vezes, não querem que as plantas se acasalem, pois elas perdem suas qualidades. As frutas, cana-de-açúcar, mandioca, entre outras, é comum plantar-se de ramos, pois as sementes de uma laranjeira, macieira, mandioca e outras quando plantadas, dão frutos de péssima qualidade.

O milho tem flores masculinas e femininas, em uma mesma planta, mas separadas. Seu pólen (masculino) é levado pelo ar e fecunda as flores femininas de outras plantas. Os cientistas descobriram que, quando se faz com que o pólen de um mesmo pé fecunde a flor da mesma planta, as sementes desta espiga dão origem a pés de milho cada vez menores e mais raquíticos. Quando se cruzam duas plantas raquíticas dão origem a uma semente, que, ao ser plantada, dá origem a um milho muito produtivo e vigoroso. Isto se chama "vigor híbrido".

È bastante conhecido que não se pode plantar as sementes colhidas de um milho híbrido, pois dão pés de milho pequenos, médios e grandes, precoces misturados com tardios, fracos com fortes; enfim, tudo tão variado que é inviável colher suas espigas.

Após a Segunda Guerra Mundial, os norte-americanos descobriram, no Japão, que os pés de trigo plantados eram bem pequeninos e produziam duas vezes mais que os trigos norte-americanos. Os trigos anões japoneses podiam ser fortemente adubados, pois tinham a cana curta. Os japoneses tinham incorporado as características do arroz anão (gene NORIN 10 e 11) ao trigo, tornando-o mais resistente à adubação. É bem sabido que gato e cachorro não se cruzam, da mesma forma que trigo e arroz, mas os cientistas japoneses tinham aprendido como transferir características sem acasalamento das espécies. Isto não é fácil e são necessários grandes e sofisticados laboratórios, que somente as transnacionais têm.

As características transmissíveis durante o acasalamento estão em partículas denominadas de DNA e RNA. Todos os seres vivos têm o tipo de DNA e RNA muito parecido (como todas as línguas ocidentais que usam o alfabeto latino), e os estudos posteriores mostraram que é possível retirar o DNA e RNA do arroz e passar para a tribo, ou de um gato e passar para um cachorro ou planta. Isto é extremamente complexo e custam alguns milhões de dólares, em equipamentos e equipes, para ser feito.

Hoje, as empresas químico-farmacêuticas estão investindo verdadeiras fortunas para a criação de variedades de sementes e novos medicamentos através da transferência de características (genes) de uma espécie de planta ou animal para outra.

O REGISTRO DAS PATENTES TRANSGÊNICAS

Isto se chama de organismo transgênico. Estas plantas ou animais podem ser patenteados como uma criação ou invenção, pois são novos, criados pela inventividade humanas e úteis, segundo os donos das patentes.

Um ser vivo patenteado só pode ser reproduzido pelo dono da patente. Se o dono não permitir que outra pessoa ou empresa plante ou tire cria da semente ou animal comprado, então a lei protege seu monopólio sobre a invenção. Isto obriga o agricultor ou pecuarista a comprar sempre a semente ou animal dele. Para o dono desta patente, isto é ÓTIMO.

Muitos agricultores, hoje, estão ganhando muito dinheiro fazendo o seu milho híbrido em casa. Eles compram semente de milho híbrido de duas empresas diferentes, plantam duas fileiras do milho de uma empresa, para ser o pai, e dez linhas do milho da outra empresa, para ser a mãe e depois mais duas fileiras, novamente, do milho pai.

Quando o milho vai soltar o pendão, eles "capam" todas as flores masculinas das plantas mães (tiram o pendão) antes de sair fora do cartucho. As plantas "capadas" são fecundadas pelo pólen das duas fileiras de cada lado, e, assim, obtém-se a semente híbrida ou variedade sintética. A vantagem é que esta semente pode ser plantada até seis vezes sem diminuir a produção, e isto faz com que a semente fique bem barata e o agricultor fique com mais lucro. Como isto é uma prática comum e antiga não pode ser proibida por uma lei de patentes. Existe muita gente ameaçando os agricultores, para que eles, por medo, não possam fazer isto, mas é só intimidação.

Com a engenharia genética, as empresas, hoje, estão transferindo genes entre diferentes espécies de plantas e/ou animais. Assim, obtêm-se feijão com proteína de castanha-do-pará, trigo com genes de peixe, tomate que não apodrece, milho com genes de bactérias que matam insetos, e assim por diante.

Quanto vale uma patente transgênica? Vale uma fortuna, considerando os mercados bilionários que ela permite monopolizar, mas para os investimentos neste setor somente empresas gigantescas têm condições e recursos. Algumas empresas não tiveram dinheiro suficiente para competir neste mercado. A Volvo sueca foi uma delas e faliu no ramo de sementes. A Calgene criou a soja resistente ao Roundup, mas não resistiu e teve que vender sua patente para a Monsanto.
As grandes empresas de agrotóxicos estão se juntando para poder competir.
Hoje, as empresas estão se acusando de roubarem os conhecimentos umas das outras, e as patentes estão na Justiça.

AS TRANSFERÊNCIAS DE CARACTERÍSTICAS E SUAS CONSEQÜÊNCIAS

Todos devemos entender que não é fácil nem seguro mexer com a transferência de características de uma planta pra outra. Todas as pesquisas, nesta área, são severamente controladas e precisam de autorização dos órgãos governamentais.

A Souza Cruz criou uma empresa de sementes e mudas que lançou, no mercado, uma nova variedade de morango e passou a vender mudas deste morando. Os morangos produzidos não ficavam vermelhos, e foi um fracasso com grandes prejuízos para os agricultores de São Paulo e Minas Gerais. A empresa foi fechada.

A empresa Pioneer criou uma variedade de soja transgênica com genes da castanha-do-pará, mas não puderam explorar a patente, pois a soja causava alergia. É que muitas pessoas são alérgicas à castanha-do-pará, e os genes manipulados para transferir o valor protéico da castanha para a soja levaram junto seu potencial alérgico.

No Japão, a empresa Showa Denko criou bactérias transgênicas para produzir vitaminas e amino-ácidos (L-triptofano), provocando 35 mortes e 5.000 intoxicações.
Cientista da empresa DNA Plant Technology foram contratados pela BAT (dona da Souza Cruz no Brasil), para criar um pé de fumo com muito mais nicotina. A nicotina vicia mais o fumante, que consome mais cigarros.

O plantio deste fumo foi proibido nos EUA e aqueles cientistas trouxeram o fumo "Y-I", clandestinamente, e plantaram no RS, PR e SC. Colheram e exportaram-no para os EUA causando a maior confusão. O FBI está investigando e enquadrando os responsáveis nas rigorosas leis vigentes naquele país.

OS RISCOS PARA A NATUREZA

Fora a questão moral e ética de tornar a pessoa mais viciada, há um grave risco para a natureza, o pólen deste "Y-I" ou qualquer transgênico pode ser levado por uma abelha, vespa ou mangangá para um pé de fumo bravo e provocar a formação de uma planta diferente, destruindo as plantas da natureza que formam a biodiversidade. Para evitar estes riscos, experiências militares com transferência de genes eram feitas nos laboratórios espaciais fora da Terra, pois se desse uma "zebra", não haveria grandes perigos para a vida no Planeta. Ainda hoje, estas criações só podem ser feitas em locais sob total controle, para evitar contaminação da natureza.

Cientistas criaram um salmão, um peixe muito valioso e gostoso. Ele cresce duas vezes mais rápido que os naturais. O governo americano tem medo deste peixe fugir dos tanques de criação e ir para a natureza, pois para crescer mais rápido ele come muito mais e isto provoca um grande desequilíbrio no ambiente e morte de muitos outros peixes e animais marinhos. Seria uma verdadeira catástrofe para a vida marinha e, por tabela, para a Humanidade.

O MEDO DOS TRANSGÊNICOS

Na Europa, os consumidores (80% deles, segundo pesquisas em 1.997) estão com medo dos alimentos transgênicos e exigem que eles sejam rotulados para o comprador poder escolher um produto normal. Ao mesmo tempo, estão instalando laboratórios caríssimos para fiscalizar os alimentos e encontrar as fraudes. Cada análise custa muito caro e aumenta o preço do produto.

Alguns governos ainda resistem a fazer os testes, alegando que o custo dos testes é proibitivo, mas que as entidades de defesa do consumidor e do ambiente já mostraram que é perfeitamente exeqüível.

No Brasil, está chegando a soja transgênica resistente ao Roundup. O Roundup é um herbicida da Monsanto que mata qualquer planta, inclusive a soja. Mas a soja transgênica recebeu características de resistência ao Roundup encontrada em algas e bactérias. Este gene foi transferido para a soja que não morre, quando se passa o Roundup sobre ela para eliminar as ervas daninhas na lavoura.

A empresa usou os técnicos da Emater, Universidades, Cooperativas e Governo para uma grande campanha de plantio direto na palha, para viciar os agricultores a usar o Roundup. Agora, a Monsanto lança a soja resistente ao Roundup, para "casar" a compra de sua semente ao uso de seu herbicida, que promete economizar no consumo de agrotóxicos. Os agrônomos que ensinam a plantar soja e fazer o plantio direto sem herbicida algum não têm os recursos que a Monsanto tem para chegar aos agricultores. Não é muito diferente do fumo "Y-I" com mais nicotina.

Dentro de poucos anos, todas as variedades de soja disponíveis no mercado poderão ser resistentes aos herbicidas produzidos pela Monsanto, AgrEvo ou alguma outra multinacional, e os bancos e esmagadoras poderão exigir que o agricultor faça a compra casada de sementes, agrotóxicos, etc. de uma mesma empresa.

Quem faz plantio direto e usa o rolo facas, sem herbicidas, como fica? Será obrigado a comprar o herbicida?

As empresas passarão a criar cada dia mais produtos e tornar sua soja viciada neles, e o agricultor ficará à mercê deste mercado, pois o governo está ao lado delas. Isto provocará maior contaminação e envenenamento da natureza (solo, água, alimentos).

Um ano depois de aplicado Roundup no solo, foram encontrados os resíduos dele em cenouras e alfaces. Na água de poço, foi encontrado resíduo de Roundup. A Nitrosamina de Roundup é uma substância encontrada na água e no solo e é altamente carcinogênica, ou seja, um formador de câncer. Mas mesmo assim a Monsanto promove este agrotóxico como um produto ecologicamente "sadio".

Para o agricultor, o mais importante é que os "inços" (ervas daninhas), quando recebem repetidamente Roundup, passam a ficar tolerantes e passam a necessitar de maior quantidade de produto, para morrer. Já, existem, na Austrália, Estados Unidos, "inços" que não morrem nem quando se passa veneno puro sobre eles.

Mas as empresas que vendem sementes e agrotóxicos não estão preocupadas com este perigo, pois já preparam os futuros lançamentos sucessivos de sementes e venenos "novos", "melhores" e "mais potentes" (e mais caros, também).

No passado, a ferrugem do café, o bicudo do algodoeiro e outras pragas foram trazidos ao Brasil para aumentar o comércio de agrotóxicos, com graves prejuízos a todos. Um cientista introduziu a abelha africana no Brasil e isto já causou a morte de centenas de pessoas e sofrimento à centena de milhares. Hoje, a abelha africana está em todo o país e ameaça entrar nos EUA. Não é simples nem inócuo mexer com a natureza. Muitos cientistas alertam para o perigo da manipulação genética, que é milhões de vezes mais perigosa.

A empresa "Delta & Pine", dos EUA patenteou o gene "TERMINATOR". Ele é incorporado às sementes que plantadas e colhidas tenham sementes estéreis. Isto obriga inexoravelmente o agricultor a comprar sementes sempre que for plantar. Na América Latina isto causará grandes e negativos impactos.

O grave é que as empresas podem "fazer" com que este gene vá com os grãos de pólen e fecundem as flores de plantas silvestres ou domésticas tornando-as também estéreis, destruindo o patrimônio do agricultor e da humanidade.

Para quem faz agricultura ecológica - o que representa o uso de soja transgênica resistente ao Roundup ou com DNA de bactérias que matam insetos?

Em primeiro, é um risco muito grave, pois, logo, serão retiradas do mercado todas as variedades de soja, e outras culturas que não sejam transgênicas, da mesma forma como desapareceram as galinhas de roça ou caipiras. Hoje somente encontramos as galinhas brancas (Leghorn).

Segundo, para o agricultor que não usa agrotóxicos e faz agricultura ecológica, a tecnologia dos transgênicos é desnecessária. Mas ele não poderá mais comprar as sementes não transgênicas no comércio. E os donos das patentes estão criando mecanismos para que a soja não cresça quando não for utilizado o agrotóxico da empresa.

Muitas entidades populares estão resgatando as sementes e raças de animais para que não fiquemos obrigados a comprar as plantas transgênicas.

Terceiro, e isto é muito importante, quanto mais se plantar destas culturas transgênicas melhor será o preço das ecológicas, pois maior será sua procura. Os países europeus rotulam e identificam os "alimentos transgênicos" e os separam dos "naturais". Isto faz com que o preço dos produtos ecológicos seja maior, o que é bom para os agricultores. Na Europa e entre algumas entidades comerciais brasileiras, há oferta de produtos ecológicos com preços muito mais caros, mas o normal, no Brasil é o preço dos produtos ecológicos serem similares para o consumidor, pois se elimina o "atravessador" e esta margem, que é muito grande, fica com a organização de produtores, o que é uma vantagem ética para o consumidor consciente.

Com o alimento transgênico, o governo, aliado das transnacionais, vai querer que os produtos ecológicos não transgênicos fiquem, apenas, para a exportação ou muito caros para o consumidor do mercado interno. Devemos estar alerta, pois isto pode expor o agricultor ecológico, como "bode expiatório" responsável pelo aumento dos preços dos produtos.

Finalmente, o grave risco dos transgênicos é que passemos a buscar sempre a solução dos problemas através de produtos de empresas transnacionais que cada vez agigantam-se mais, enquanto nós ficamos mais pobres e dependentes. O correto é evitarmos os problemas corrigindo-os através da eliminação de suas causas.

O solo onde se usa herbicidas é destruído em menos de 30 anos, pois a comunidade vegetal retrocede perigosamente. Cada vez, aparece mais "milhã" e "papuã" (gramíneas) e desaparecem as plantas mais nobres.

A pergunta que o agricultor deve fazer é para que serve uma soja resistente ao Roundup se ele não usa Roundup" Entretanto, a empresa e o governo tem interesse em que haja uso de Roundup, mesmo que isto seja um perigo, como acabamos de ver neste texto. A cada dia mais e mais características (genes) estão sendo incorporados às plantas e animais para necessitar de mais e mais produtos das mesmas empresas criadoras destas sementes. Isto é o mesmo que colocar a raposa para tomar conta do galinheiro.

Hoje sabemos que o tipo de preparo do solo e adubação usados na agricultura "moderna" traz os "inços" (ervas daninhas), as doenças e as pragas. Quando usávamos venenos, sempre, ano a ano, na mesma época, tínhamos de usar estes venenos. Agora, teremos que nos preocupar em eliminar as causas das pragas, doenças e invasoras, para não ficarmos ainda mais dependentes dos produtos e do planejamento das empresas e das políticas do governo.

Em outubro de 1.997, no coração da região produtora de algodão dos EUA, o país mais exigente quanto às questões transgênicas, 15.000 hectares de algodão Roundup Ready, da Monsanto não produziram fibra, com um prejuízo de 1 milhão de dólares aos agricultores.

Elas levam a vida no cabelo

Por muito negro que crucifiquem ou pendurem de um gancho de ferro atravessado nas costelas, são incessantes as fugas desde as quatrocentas plantações da costa de Suriname. No interior da floresta, um leão negro ondeia na bandeira amarela dos chimarrões. Não havendo balas, as armas disparam pedrinhas ou botões de osso, porém, a espessura impenetrável é a melhor aliada contra os colonos holandeses.

Antes de fugir, as escravas roubam grãos de arroz e de milho, pepitas de trigo, feijão e sementes de abóboras. Suas enormes cabeleiras transformam-se em celeiros. Quando chegam aos refúgios abertos no matagal, as mulheres sacodem suas cabeças e fecundam, assim, a terra livre.

Extraído de "Memória Del fuego (II), Lãs caras y las máscaras"
de Eduardo Galeano.

PERIGOS DOS ALIMENTOS TRANSGÊNICOS

1.-Novos toxicantes podem ser agregados aos alimentos através da engenharia genética. Muitas plantas produzem naturalmente uma variedade de compostos como as neurotoxinas, inibidores de enzimas, que podem ser tóxicos e alterar a qualidade dos alimentos. Geralmente estes compostos estão presentes em níveis não tóxicos. Mas, através da engenharia genética, podem ser produzidos em altos níveis.

2.-A qualidade nutricional dos alimentos da engenharia genética pode ser diminuída.

3.-Pode ser significativamente alterada a quantidade de nutrientes nos alimentos submetidos à engenharia genética. Também sua absorção ou metabolismo no homem pode ser modificado.

4.-Novas substâncias podem representar alterações na composição dos alimentos.

5.-É possível a introdução de uma proteína que diferencie significativamente na estrutura e função, ou modifique um carboidrato, gordura ou óleo. Cada uma destas diferenças altera significativamente a composição normal encontrada no alimento.

6.-Novas proteínas que causam reações alérgicas podem entrar nos alimentos. Alergênicos são proteínas que causam reação na população sensível a esta substância. Transferidas de um alimento para o outro, as proteínas podem conferir à nova planta propriedades alergênicas do doador.

7.-As pessoas sensíveis normalmente acabam por identificar os produtos que as afetam. Entretanto, com a transferência dos alergênicos de um produto para o outro, perde-se a identificação e a pessoa só vai descobrir o que lhe faz mal após a ingestão do alimento perigoso.

8.-Os genes antibiótico-resistentes podem diminuir a efetividade de alguns antibióticos em seres humanos e nos animais.

9.-Cientistas usam genes antibiótico-resistentes para selecionar e marcar os organismos submetidos à engenharia genética que foram sucesso. Genes marcadores que produzem enzimas inativadas clinicamente, usando antibióticos, teoricamente podem reduzir a eficácia da terapêutica de antibióticos. Quando ingerida oralmente no alimento submetido à engenharia genética, a enzima pode inativar o antibiótico.

Pode-se explicar de outra forma. Uma bactéria produz uma geração a cada minuto. Sua população é de alguns milhões de indivíduos. Se, por exemplo, o cientista maluco quer introduzir um gene de fosforescência em um peixe faz o seguinte... Ele torna uma bactéria e usa-a como plasmídeo para carregar o gene para dentro da bactéria. Mas como ele vai saber se o seu gene está dentro da célula? Simples, ele transfere caracteres de resistência a um determinado antibiótico. Depois, para checar se houve absorção do gene, ele cultiva esta bactéria na presença do tal antibiótico. Aqueles que nascerem seguramente terão o gene da fosforescência. E o que acontece quando esse doido faz o experimento num peixe, um alimento humano? Surgirão peixes com a fosforescência e o antibiótico... Que pode ser letal a algumas pessoas.

10.-Os alimento da engenharia genética podem provocar efeitos inesperados.

11.-As manipulações genéticas trazem riscos aos animais porque podem aumentar os níveis de toxina nas rações e alterar a composição e qualidade dos nutrientes.

12.-A dieta dos animais é restrita a uns poucos produtos agrícolas. Uma pequena alteração numa dieta diversificada é capaz de provocar uma grande intoxicação.

13.-Alguns cientistas mais sensatos alertam que o uso da técnica de resistência a vírus na agricultura pode fazer surgir novas raças de vírus, e daí novas doenças. Os novos vírus resultam da fusão do DNA da proteína da cobertura do vírus anterior com o RNA de um vírus que esteja infectando a célula. O vírus híbrido passa a ter aspectos diferentes do vírus original para o qual a planta tem resistência, podendo provocar novas e complexas doenças.

Fonte: CREA-RJ - www.crea-rj.org.br 

Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Rio de Janeiro - Movimento pela Cidadania pelas Águas - CREA/RJ  - Centro de Referência.