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Número de acidentes com transgênicos em 2006 foi o maior dos últimos dez
anos, diz Greenpeace
Brasília, 14 de fevereiro de 2.007 - O relatório Registros de Contaminação Transgênica, divulgado hoje
(14) pela organização não-governamental (ONG) Greenpeace, afirma que, nos
últimos dez anos, 2006 foi o ano com maior número de acidentes com transgênicos.
Cerca de 60 ativistas, fantasiados de milho, entregaram nesta quarta-feira, em
Brasília, o relatório aos 27 cientistas que integram a Comissão Técnica Nacional
de Biossegurança (CTNBio).
A comissão decide amanhã (15) se libera para plantio e comercialização cinco
modalidades de milho transgênico.
O documento cita casos de contaminação, plantios ilegais e efeitos colaterais
negativos causados pelos transgênicos em todo o mundo, no ano passado. De acordo
com o relatório, nos últimos 10 anos, foram relatados 142 casos de contaminação
de diversas espécies ocorridos no mundo. Desse total, 35% se referem a
variedades de milho transgênico. Somente em 2006, foram registrados 24
incidentes com transgênicos em todo o mundo.
As notificações foram feitas no site www.gmcontaminationregister.org, criado
pela ONG britânica GeneWatch e pelo Greenpeace para monitorar o impacto dos
transgênicos na produção de alimentos e no meio ambiente.
“Até hoje, os transgênicos que existem em escala comercial, ou são resistentes a
agrotóxico, ou têm propriedades inseticidas. Eles não produzem mais. Em vez de
uma soja que dê dez grãos, você não vai ter uma soja que dê 100 grãos, isso é
uma mentira. Eles, simplesmente, foram desenvolvidos pelas indústrias de
agroquímicos para serem resistentes aos seus próprios agroquímicos, ou terem
propriedades inseticidas”, explicou a coordenadora da Campanha de Transgênicos
do Greenpeace, Gabriela Vuolo.
Mais da metade dos incidentes registrados envolveu o milho. Os Estados Unidos
continuam a ser o país com mais contaminação no mundo. Um caso citado no
relatório é o da Espanha, ocorrido em 2005, mas só registrado no ano passado.
Segundo o relatório, a introdução do milho transgênico está ameaçando o modo de
vida de produtores orgânicos nas principais regiões de plantio de milho do país
ibérico.
O relatório também aponta a preocupação com a contaminação de estoques de
sementes de milho. Nos últimos dez anos, o documento afirma que foram
encontradas sementes de milho contaminadas em 11 países, entre os quais o
Brasil. Os outros são: Áustria, Chile, Croácia, França, Alemanha, Grécia,
Itália, Nova Zelândia, Suíça e Estados Unidos.
No relatório, as organizações GeneWatch e Greenpeace pedem que os governos
utilizem métodos para detecção de casos de contaminação de transgênicos;
imponham padrões internacionais de identificação de documentação de
carregamentos de organismos geneticamente modificados (OGMs); e neguem às
companhias o direito de comercializar produtos transgênicos, se elas estiverem
envolvidas em liberações ilegais, entre outras.
O lançamento internacional do relatório será na próxima segunda-feira (19).
Fonte: Irene Lôbo, Repórter da Agência Brasil
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