Modelo de transporte coletivo público gera exclusão social

 


Brasília, março de 2.004 - Pesquisa realizada pelo IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, do Ministério do Planejamento, mostra a exclusão social provocada pelo modelo de transporte coletivo adotado no Brasil.
 

Na esmagadora maioria das cidades médias e grandes, onde se concentra a maior parte da população, o ir e vir das pessoas, direito constitucional sagrado, é limitado pela tarifa de ônibus cara e que não é integrada, ou seja: para ir de um lugar para outro, em diferentes regiões, é necessário adquirir uma nova passagem.

Esse modelo perverso, onde apenas as empresas de transporte coletivo se beneficiam, deixa os pobres confinados em guetos nos bairros periféricos, cerceando o direito de ir e vir e impedindo o exercício de outros direitos: lazer, estudo, trabalho, procura de emprego, visita a parentes e amigos, etc.


Os altos índices de desemprego
da população de baixa renda geram outro problema grave, pois essa parcela da população, que precisa procurar emprego, fica sem alternativa de locomoção.

O uso da bicicleta como meio de transporte vem sendo adotado em um grande número de cidades, em razão da impossibilidade dos pobres de adquirir a passagem de ônibus. Em contrapartida, o número de veículos continua a aumentar, gerando o caos urbano e colocando em risco a integridade física dos cidadãos.

O "vale transporte" é utilizado como moeda e as pessoas ou não se locomovem ou andam a pé ou bicicleta, para trocar por dinheiro, para atendimento de outras necessidades.


Criou-se no país um
mercado informal de vales-transporte, provocado pela má distribuição do benefício. Uma parte das pessoas que recebem vale-transporte não utiliza o transporte coletivo. Eles têm carro e vendem para intermediários por um preço mais baixo, que por sua vez revendem para a população de baixa renda. Ou seja, é muita gente ganhando em cima do pobre.

Esse quadro dramático exige mudanças radicais que certamente irão contrariar interesses poderosos, mas que terão que ser feitas, sob pena de se agravar cada vez mais as desigualdades e a injustiça social.

Fonte: IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, do Ministério do Planejamento - www.ipea.gov.br 

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