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Cientistas de todo o mundo estão
preocupados com a resistência da tuberculose às principais drogas de combate à
doença
Rio de Janeiro, 24 de agosto de 2.006 - Enquanto cientistas de todo o mundo
pesquisam uma vacina contra a tuberculose, surge uma nova ameaça no combate à
doença. Trata-se da multi-multirresistência, conceito usado internacionalmente
para descrever casos que se tornam resistentes a seis das principais drogas
usadas no combate à doença.
A multirresistência (MR) é usada para descrever pacientes resistentes à
rifampicina e à izoniazida, drogas importantes no tratamento da tuberculose. “A
resistência pode ser criada por tratamentos inadequados. É o que chamamos de
resistência adquirida. O paciente, inicialmente, não é resistente”, disse o
sanitarista Miguel Aiub Hijjar, diretor do Centro de Referência Professor Hélio
Fraga, vinculado à Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, na
quarta-feira (23/8), durante o 11º Congresso Mundial de Saúde Pública, no Rio de
Janeiro.
Hijjar apresentou detalhes do “Inquérito de resistência às drogas utilizadas no
tratamento da tuberculose no Brasil”, projeto que coordena há um ano e que deve
ser concluído em 2007. “Com o inquérito, buscamos também melhorar a capacidade
de diagnóstico, tratamento e de supervisão, por meio do monitoramento dos casos
de tuberculose multirresistente”, disse.
Segundo o médico, cerca de um terço da população mundial carrega o bacilo da
tuberculose, que é transmitido pelo ar. A situação brasileira não é das piores.
Na África do Sul, por exemplo, a incidência da doença é de 720 para cada grupo
de 100 mil habitantes, enquanto no Brasil a taxa é de 45 para cada 100 mil.
A alta incidência em alguns estados brasileiros é o que mais preocupa. A cada
ano são registrados 370 novos casos no país. O Sudeste concentra o maior número
de casos – 63,4%. Desses, 40% estão no Rio de Janeiro. “O Rio tem também a pior
taxa de mortalidade. Temos de investigar essa situação. Se a responsável pela
multirresistência à tuberculose for a má qualidade dos serviços de saúde, vamos
interferir”, disse Hijjar.
Desde a descoberta da estreptomicina, na década de 1940, mais de uma dezena de
antibióticos e quimioterápicos foram criados para combater a tuberculose. A
doença foi a primeira a ser tratada com a combinação de drogas, como ocorre
atualmente com a Aids.
“Começamos a utilizar a terapia combinada ainda na década de 1970, quando vimos
que uma droga combatia quase todos os bacilos, mas sempre tinha um que se
tornava resistente a ela”, lembrou Hijjar.

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