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Este é o raciocínio do tipo custo-benefício que está por trás da histórica decisão da Comunidade Européia, anunciada neste 10 de janeiro de 2007, de reduzir voluntária e incondicionalmente em 20% até o ano 2020 suas emissões de gás carbônico na atmosfera, independente do que fazem outros grandes poluidores como Estados Unidos e Brasil. Vista como a verdadeira revolução pós-industrial de que falavam os acadêmicos desde os anos 60, a decisão abre caminho para a Europa ganhar velocidade na corrida tecnológica de se construir a nova economia, com motores movidos a hidrogênio cada vez mais populares nas ruas e geração elétrica por ventos, marés e sol aumentando sua participação na oferta energética ano a ano, como já ocorre na Alemanha e na Suécia. O caminho adotado pelos europeus diante do agravamento das catástrofes naturais devido ao aquecimento do planeta deve gerar resultados a curto prazo, por ter uma boa coerência macroeconômica - as empresas e os consumidores terão ganhos com a troca de modelo energético, deixando de lado aos poucos o petróleo e o carvão para apostar nas fontes limpas. Politicamente o programa pós-industrial europeu é uma forma de tentar manter a liderança nesta transição, usar a dificuldade criada por 300 anos de poluição para dar a volta por cima e assim ultrapassar os americanos em matéria de novo padrão energético. O programa de redução de emissões de carbono tem a grande vantagem de não depender dos mecanismos diplomáticos internacionais, como o Tratado de Kioto, que até hoje não foi pelos Estados Unidos e seus aliados Canadá e Austrália. O anúncio é um recado também ao grande poluidor "natural" que é o Brasil, com a queima do cerrado e da Amazônia agravando as emissões de gás carbônico e provocando fortes impactos no clima. Significa também, no imaginário da política mundial, um empurrão ladeira abaixo na velha política antiecológica do presidente George W. Bush, que perdeu a última eleição e acaba de ser instado pela maioria dos governadores a não vetar a nova legislação ambiental. Mas é próprio do presidente apoiado pela indústria texana do petróleo insistir em defender primitivamente a velha e boa indústria americana, mesmo sabendo que está na contramão da história. Enquanto isso Durão Barroso, à frente da Conferência Européia, mostra que português continua sabendo fazer contas. O novo passo europeu deve ter forte significado econômico também para o Brasil, não só mudando rumos de políticas internas para se encaixar em novos marcos para acesso a recursos externos como também puxando segmentos tecnológicos livres de carbono e assim reforçando as bases da economia de transição pós-industrial também na América do Sul. Comentário de João Arnolfo). Fonte: Via Ecológica - www.viaecologica.com.br
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