Vale do Rio Doce terá que discutir renovação de acordo de
extração de minérios com índios xikrins
Brasília,
06 de novembro de 2.005 – A Companhia Vale do Rio Doce terá que discutir com os
índios xikrins a renovação do acordo que permite a empresa continuar a extrair
minérios da reserva indígena. A renovação do acordo anual dos índios, que vivem
na área do Projeto Carajás, em Marabá, no Pará, com a Vale do Rio Doce vai ser
discutida no dia 5 de dezembro próximo. A reunião contará com a presença da
Fundação Nacional do Índio, de membros do Ministério Público e da Associação
Indígena Bepnoi, que administra os recursos investidos na comunidade Xikrin,
composta por cerca de mil pessoas.
A Administração Regional da Funai de Marabá quer fazer também outras reuniões
até o dia 9 de dezembro para discutir com a Vale os interesses de outras quatro
comunidades indígenas do Pará e do Maranhão, que também recebem apoio anual da
empresa desde a sua privatização.
O advogado Romualdo José Oliveira da Silva, da Associação Indígena Bepnoi,
situada em Marabá, reclama que a companhia mineradora propôs para 2006 a
aplicação na comunidade dos xikrins de R$ 5,78 milhões, quando neste ano foram
destinados R$ 6 milhões. "Isso deixou a comunidade indígena revoltada, pois sua
população está aumentando e precisaria de valor superior ao aplicado neste ano".
Tanto a Funai quanto o advogado, negam que os xikrins tenham "invadido" a vila
de servidores da Companhia Vale do Rio Doce, no núcleo residencial do Projeto
Carajás, no sul do Pará, conforme divulgado pela mídia.
Oliveira disse que "não houve radicalização" e que os índios fizeram uma
manifestação num bosque, nas imediações da vila, defendendo negociação com a
Companhia Vale do Rio Doce. "Eles não estavam invadindo nada, pois estavam em
suas próprias terras", disse o advogado.
O administrador regional da Funai em Marabá, Eimar Araújo, conseguiu nesta
quinta-feira convencer os índios a voltar à aldeia, alegando que a reunião deles
com a Vale já estava marcada para o dia 5 de dezembro. Ele disse que não foi
possível antecipar essa data, pois está envolvido com muitos outros problemas
ligados à terra no estado.
A empresa distribuiu nota nesta semana informando que pretende continuar dando
apoio educacional, de saúde, de infraestrutura e de proteção da terra aos cinco
povos indígenas que ficam em áreas de mineração que explora no Pará e no
Maranhão, mas "sempre em harmonia com os objetivos da Fundação Nacional do
Índio" para essas comunidades.
A empresa disse que "há alguns anos os índios xikrins chegaram a pedir um avião
e carros de luxo", e atribui o pedido de mais dinheiro pela comunidade "à
exploração de que os indígenas são vítimas no comércio de Marabá, onde muitos
deles estão endividados".
Fonte:
Agência Brasil - Lourenço Melo
- Repórter
