Vigilância em saúde com
bases ambientais
Inpe e Fiocruz desenvolvem observatório para acompanhar processos envolvidos na
relação entre mudanças climáticas globais e seus efeitos
sobre a saúde humana

São Paulo, junho de 2.009 - A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (Inpe) anunciaram a criação e estão em processo de
desenvolvimento do Observatório de Clima e Saúde da América Latina (Observatorium).
Ao agrupar informações de diversas naturezas – ambientais, climáticas,
epidemiológicas, socioeconômicas e de saúde pública – a iniciativa pretende
acompanhar e antever processos envolvidos na relação entre as mudanças
climáticas globais e seus efeitos sobre a saúde humana.
O observatório irá integrar bases de dados de instituições como o Instituto
Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) e o banco de dados do Sistema Único
de Saúde (Datasus), além de reunir bancos de instituições de ensino e pesquisa,
visando a fomentar estudos acadêmicos e o desenvolvimento de inovações
tecnológicas nas áreas de clima e saúde.
“A idéia é criar uma nova política nacional de acesso aos dados já disponíveis e
arquivados em múltiplas instituições do país, de modo que uma única plataforma
tecnológica na internet permita a consulta compartilhada às informações e à
produção de conhecimentos sobre o assunto”, disse o coordenador do projeto no
Inpe, Antônio Miguel Vieira Monteiro, à Agência FAPESP.
“O Observatorium se propõe a unir três questões: ciência de qualidade, inovações
tecnológicas e ferramentas para o suporte e a decisão política. Trata-se de uma
nova proposta de apoio à gestão e aos serviços de saúde com bases científicas e
tecnológicas”, explicou Monteiro, que coordena o Programa Espaço e Sociedade do
instituto.
Atualmente, os pesquisadores envolvidos com o projeto trabalham na elaboração de
um inventário de dados sobre clima e saúde. “Dados já existem em grande
quantidade. O mais importante agora é consolidar essas informações e definir
quem são os produtores de dados mais importantes nas relações associadas aos
processos de saúde e doença derivadas de clima e meio ambiente”, disse.
Além de fomentar a tomada de decisão de gestores e a participação dos cidadãos
em temas sobre as mudanças climáticas e seus impactos na saúde, o Observatorium
pretende ainda realizar análises para a identificação de tendências e padrões
climáticos de modo a alertar e acompanhar situações de emergências na saúde
geradas pelo clima.
Pessoas que não estejam vinculadas a nenhuma instituição, explica o pesquisador
do Inpe, também poderão alimentar o Observatorium com dados novos por meio da
“Base Viva”, ferramenta que permitirá a inserção de informações sobre eventos
naturais e condições de saúde da população.
“Os dados provenientes dessa participação externa, em que as pessoas poderão
contar casos isolados e pontuais de suas cidades, por exemplo, terão um
tratamento diferenciado para a consolidação de uma base paralela”, disse
Monteiro. Uma versão piloto do Observatorium deverá ser lançada até o fim de
2009.
Na Fiocruz, o projeto, que conta com o apoio da Organização Pan-Americana da
Saúde (Opas), é coordenado pelo pesquisador Christovam Barcellos, do Instituto
de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict). No Inpe,
a iniciativa é conduzida pelo Programa Espaço e Sociedade, com a participação
das áreas de Previsão de Tempo e Clima, Observação da Terra e Ciência do Sistema
Terrestre.
Fonte:
Agência FAPESP