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A violência recrudesce no Mato
Grosso do Sul
Mato Grosso do Sul, janeiro de 2.007 -
A presidência e o Conselho do Cimi, constituídos por missionários representantes
de todas as regiões do país, manifestam uma vez mais sua preocupação em relação
à violência contra o povo Kaiowá Guarani, que tem características de um
genocídio.
É o que podemos constatar, mais uma vez, quando ocorrem o assassinato de Xuretê
Julita Lopes e o ferimento de Valdecir Ximenes, com três tiros, ao amanhecer do
dia 9 de janeiro, por milícias armadas contratadas por fazendeiros, que
retiraram à força um grupo que havia retornado ao seu tekoha (terra
tradicional), hoje ocupado pela fazenda Madama, no município de Coronel
Sapucaia, MS. Quatro índios continuam presos, após incidente resultado de um
ataque da milícia armada, no dia anterior.
Além dessa violência física, a comunidade foi duramente atingida por uma longa
espera: aguardou cinco dias por uma autorização judicial para o enterro de
Julita, rezadora de 73 anos, no local em que foi assassinada. As decisões da
Justiça Federal em Ponta Porã e do Tribunal Federal Regional, em São Paulo,
negaram aos índios o direito de sepultar a anciã no local em que tombou.
Denunciamos as ações de fazendeiros, que contratam jagunços, seguranças privados
e pistoleiros para resolverem à força disputas sobre terras. Os Kaiowá Guarani
nada mais buscam do que seu o direito constitucional às terras das quais foram
expulsos. Repudiamos essa mentalidade que concebe como “direito natural” a
expropriação de terras indígenas, negando a reprodução da vida a inúmeras
famílias que se sustentam através da terra, com base em culturas milenares.
É assustadora a certeza da impunidade com que vêm agindo esses grupos armados.
Os matadores continuam soltos, enquanto dezenas de índios estão presos. É
preciso uma ação enérgica e eficaz da Polícia Federal e da Justiça para que não
continuem sendo estimulados tais atos criminosos.
Toda essa situação só começará a mudar se houver uma ação rápida do governo
Federal para regularizar e garantir aos Kaiowá Guarani suas terras. É uma
afronta constatar que quase todos os processos de regularização das terras
indígenas no Estado estão paralisadas por ações judiciais e que a Funai tem se
omitido sistematicamente a criar grupos de trabalho para identificar mais de uma
centena de tekohas (terras tradicionais) que aguardam por essa providência.
Dom Erwin Kräutler
Presidente do Cimi
Cimi – Conselho Indigenista Missionário
Brasília , 16 de janeiro de 2007
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